Descubra: Linhas Ofensivas do Futebol Americano Nacional – Feminino

Redator Tide Fb Leonardo Siqueira

As mulheres têm buscado cada vez mais espaço dentro do FABR, galgando relevância e oportunidades a cada dia. Se há pouco tempo as meninas ainda eram vistas como atletas apenas de flag football (modalidade com menos contato), hoje já é comum cada vez mais mulheres aderirem ao full pads (modalidade com contato). O crescimento foi tanto que a Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) realizou o primeiro training camp da modalidade em 2019.
Entre as atletas, talvez as que “aparecem” menos são as de linha ofensiva. Considerada por especialistas como a posição mais importante do ataque, responsável por fazer tanto jogadas terrestres como aéreas acontecerem, as atletas dessa posição precisam aliar força, inteligência e agilidade para se destacar. Essa lista tem como objetivo trazer nomes que não estiveram na convocação, mas que podem estar no futuro, levando em conta potencial e desenvolvimento a longo prazo.

1) Letícia Lima (Curitiba Silverhawks)

As atuais campeãs brasileiras tiveram três convocadas em 2019 (Amanda Ramos, Biga Rapetti e Milena Cordeiro) além de Anne Caroline (atleta que na época jogava pelo Cold Killers FA e está no Silverhawks), mas mesmo com tanta competição Letícia Lima consegue se destacar. A jovem de 23 anos começou sua carreira no fim de 2018 e chegou à primeira linha da OL na final do estadual do ano seguinte (Araucária Bowl). Depois disso, não saiu mais.
A right tackle ganhou espaço devido à força e inteligência tática, cumprindo bem as funções e mantendo o alto nível da experiente linha ofensiva curitibana. Em 2019, sob a supervisão do headcoach Rodrigo “Herege” Ruffato (atleta de OL do Crocodiles, multi campeão estadual e nacional), a linha ofensiva do Silverhawks teve papel importante, garantindo que a equipe tivesse o melhor ataque da competição (169 pontos em 5 partidas).
“Aprender a jogar na OL é uma das coisas mais difíceis dentre as posições que temos no jogo, muito devido ao stance e ao pad level” analisa o coach Vitor Sequinel (atleta do Paraná HP e coach de OL do Silverhawks). Sequinel destaca a leitura da defesa da atleta, que jogando como guard consegue colocar todo seu potencial em campo. “Quando sai em pull é raro alguma defensora sair ilesa, pois ela sabe utilizar muito bem sua força e sua velocidade” avalia.

2) Larissa Arthemis (Brasília Pilots)

Uma das selecionadas para jogar na WFLA, Larissa tem sido um dos destaques do Pilots nas trincheiras. Treinada por Felipe Garcia, atleta do Tubarões do Cerrado e uma das referências nacionais no quesito linha ofensiva, a atleta de 33 anos possui as qualidades necessárias para se destacar. Para Garcia, o fato de Arthemis ser “coachable” é um grande trunfo. “Ela sabe que é boa, mas ao mesmo tempo sabe que pode melhorar” afirma.
A brasiliense é agressiva e consegue usar seu porte físico a seu favor, além de ter “a cabeça muito boa”, segundo Felipe. “Quando ficou sabendo que ia jogar nos EUA ela mudou o seu mindset de treino”, esclarece o treinador. Ele cita também o espírito de equipe da atleta como um diferencial, “sabe que não vai vencer sozinha”.
No Pilots desde 2017, Larissa foi selecionada em abril de 2020 pela Denver Gold Rush da WFLA. A pandemia atrasou um pouco os planos, mas a right guard deve se apresentar à equipe no início de 2022. “Treinar um esporte coletivo e de contato sozinha é bem complicado” comenta. O amor pelo esporte, porém, mantém o foco. “O que me motiva é o amor ao esporte”.

Fotografia: Igor Alessandro /The Artist/

3) Veronica Tomaz (Cold Killers FA)


Com duas equipes no currículo e algumas lesões, Veronica Tomaz é a prova de que é possível render em campo apesar dos problemas físicos. A atleta de 34 anos começou a carreira no Curitiba Lions Feminino em 2018 onde jogou o campeonato paranaense e o nacional. Novata no sentido mais puro da palavra, ela entrou em campo a primeira vez sem mesmo ter noção total das regras do jogo.
Nada disso foi problema. A dedicação e o compromisso em se aprimorar renderam a ela a indicação para o prêmio de MVP das trincheiras no estadual de 2019, mesmo que o Lions Feminino tenha feito uma campanha fraca. O destaque rendeu o convite para disputar o nacional pelo Cold Killers, onde joga desde o segundo semestre de 2019. Para Anderson Candioto, headcoach do Cold Killers, além de força e velocidade Veronica tem uma leitura de jogo diferenciada. “Ela tem uma inteligência de jogo que me surpreendeu no que diz respeito ao entendimento das ações defensivas (do adversário)” explica. “É algo natural para ela”.
A parte física, porém, é o que freia o desenvolvimento da atleta. Veronica trata uma lesão na coluna, decorrente do esforço na lombar. “Por conta das lesões ela ainda não teve uma sequência de jogos” avalia Candioto, “quando isso acontecer ela tem tudo para ser uma das melhores OLs do país”.

Fotografia: Gabriel Azeredo

Uma resposta para “Descubra: Linhas Ofensivas do Futebol Americano Nacional – Feminino”

  1. Veronica disse:

    Obrigada pelo convite, Leonardo! Obrigada a todos os coaches que tive a oportunidade de ser treinada ao longo desses anos, por sempre acreditarem em mim, por minhas companheiras de time! Parabéns pra essa mulherada foda que faz o FA crescer cada vez mais! Muito orgulho de vocês! 🏈❤️

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