Gabriel Raeder Under – 23 Golden Boy Gaspar Black Hawks

Marcelo Taveira Redator feat. Fotografia Gabriel Wandalen Tide FB

Quando se pensa em Lineman no Futebol Americano Brasileiro, logo se pensa no velho clichê do atleta gordo, vindo do sedentarismo, preguiçoso, dentre tantas outras coisas.

É uma realidade (infeliz) na maioria dos times espalhados Brasil afora, até internacionalmente falando em ligas amadoras.

Mas nem todos são assim e o Gabriel veio para mudar essa narrativa e fazer a diferença, como um típico Golden Boy.

Ele é de Itajaí – SC, tem 22 anos (1999), com 1,83 de altura e pesa 122 kgs, e é atleta da Linha Ofensiva.

Em 2015, ao ir para Blumenau – SC para visitar familiares, a data coincidiu com o SC Bowl daquele ano, pode-se dizer que foi o primeiro contato de Raeder com o Futebol Americano, que até aquele momento não fazia ideia de que se praticava o FA por aqui, na época ele praticava Handebol.

Sua mãe ainda brincou e o instigou a jogar, já que ele sempre foi forte e se dizia meio grosseiro para o Handebol. Foi quando ele decidiu ir atrás de alguma equipe para conhecer. Ele ficou sabendo de uma equipe chamada Lobos do Mar em uma cidade vizinha, mas logo o time deixou de existir e a ideia de começar nesse esporte ficou meio adormecida.

Pouco tempo depois uma conhecida do seu pai falou sobre o filho dela que jogava no Camboriú Broqueiros, de Balneário Camboriú-SC, cidade que ficava há 40 minutos de carro. Ele chegou a treinar duas vezes, mas a distância e a necessidade de carona acabaram dificultando a continuidade.

Foi quando em 2016 surgiu em sua cidade um time de FA, o Itajaí Dockers (atual Itajaí Almirantes). Ainda lidando com uma lesão no joelho adquirida no Handebol, mas foi aos poucos se firmando no FA e ficou lá até 2018, onde venceram a Copa Sul daquele ano e também foi convocado para a seleção catarinense sub-19, quando recebeu o convite para integrar a equipe do Gaspar Black Hawks.

Naquela oportunidade o seu 1º Head Coach foi o conhecido Caião, que recém tinha assumido o cargo depois de ter feito ótimas temporadas como Linha Defensiva. Já no 2º semestre a equipe contou com o Head Coach Rodrigo Ríos, vindo do México.

Ele contou ainda com a ajuda dos seus companheiros de trincheira, o também mexicano Edgar Arguello e o Left Tackle Rosinei que o ajudaram muito a refinar a sua técnica e tática dentro da linha ofensiva, o fazendo alcançar um patamar de respeito dentro do cenário brasileiro.

Em 2020 ele foi convidado a jogar pelo Zaragoza Hurricanes na Espanha, chegou a fazer alguns jogos como OL/DL, mas teve a sua temporada interrompida em razão da pandemia que afetou o mundo todo.

O Gabriel é dominante, seja na proteção de passe, na leitura de blitz, bem como na sua agressividade para abrir gaps ou liderar corridas em um pull muito bem executado e coordenado. E tudo isso fica ainda mais claro quando ele faz isso em uma das regiões mais fortes de todo o país, enfrentando regularmente Santa Maria Soldiers – RS, Timbó Rex – SC, Coritiba Crocodile – PR, Paraná HP – PR, dentre outros.

Adentrando superficialmente nessa análise técnica do Raeder, fica claro o porque as equipes olham diferente para ele e porque ele é Top 14 atletas dessa nova geração na Golden Boy.

E por falar em Golden Boy, olha o que ele falou sobre o projeto:

“O projeto trouxe visibilidade para os jovens, o que é um problema no Brasil, já que as equipes não valorizam as categorias de base. Na Espanha todas as equipes possuem categoria de base e campeonato de base. O Golden Boy veio para revolucionar o cenário, e torço para que os times passem a valorizar mais essa categoria.

Através desse projeto eu passei a conhecer vários talentos da base, como o Stutz, que é um cara mais novo que eu, mas é muito forte e talentoso, cara joga demais.”

Quando foi perguntado sobre as pessoas que influenciaram diretamente na evolução dele, ele não hesitou. Citou seus companheiros de Black Hawks, Guga Goedert, Carraro, Rosinei e também seus treinadores Caião e Edgar.

Além disso, ele faz questão de demonstrar sua gratidão à toda família do Gaspar Black Hawks, pois ali ele se sentiu acolhido e pode viver a família de verdade, fora do clichê.

Atravessando águas internacionais, jogando na Espanha, nós perguntamos sobre o nível que ele encontrou lá:

“Eles estão acima do nível brasileiro, mas não em razão dos atletas espanhóis em si, mas em relação aos europeus, americanos, canadenses, japoneses e mexicanos que também fazem parte da liga.

A estrutura é bem superior, tínhamos dois campos sintéticos, um para treinar e outro para jogar, também tínhamos vestiário, equipamentos, material esportivo, tudo completo.”

E sobre as viagens para jogos, ele ainda complementou:

“Um diferencial bem grande é a questão das viagens. No Brasil os times viajam 12, 13 horas de ônibus, chegam, almoçam, jogam e voltam logo em seguida, nesse bate e volta.

Lá, em viagens com mais de 5 horas, sempre vamos com um dia de antecedência, ficamos hospedados em hostel e conseguimos descansar para jogar só no outro dia à tarde, e isso faz muita diferença para os atletas.”

Mas Gabriel ainda está longe de estar satisfeito com o que conquistou até agora, o principal objetivo dele é buscar uma vaga na recém-chegada Europa League, para isso, ele deve retornar à Europa no fim desse ano e quer batalhar para conseguir uma vaga em uma das equipes que disputam, assim como o Murilo Silva (Ex Timbó Rex) conseguiu no Panthers Wroclaw da Polônia.

Ele afirmou ainda que não sonha tão alto com NFL ou CFL em razão da sua estatura. Entende que nessas ligas o padrão de altura é maior e que talvez não consiga se encaixar. Disse que talvez se mudasse de posição, poderia ser menos difícil, mas não é algo que ele pense, no máximo uma transição para Linha Defensiva, mas que também é algo bem remoto, não faz parte do planejamento dele.

Quando perguntado sobre suas referências de posição na NFL, ele afirmou que gosta de analisar o conjunto da Linha Ofensiva como um todo, não acompanha individualmente nenhum atleta em específico.

Já no Futebol Americano praticado aqui no Brasil, ele possui algumas. As principais são o Edgar e o Rosinei, seus companheiros de Black Hawks, mas também admira muito o Dhiego “Gordo” Thaylor e o Victor Thomé. Sobre o Thomé ele ainda acrescentou – “me espelho muito no Thomé por termos mais ou menos o mesmo porte físico e ele joga com muita vontade, joga com o coração”.

Gabriel Raeder já está determinado na luta pelo seu sonho europeu, mas e se ficasse no Brasil, o que ele faria pós-pandemia? Ficaria no Black Hawks, consideraria outras equipes? Veja o que ele disse:

“O Gaspar Black Hawks já é uma grande equipe e ainda vai crescer cada vez mais. No primeiro ano de Elite nós chegamos aos playoffs, tiramos Croco, HP e fizemos barulho. Com certeza o Black Hawks será referência no Sul do país.

Se eu não tivesse planos de voltar à Europa, eu provavelmente ficaria no Black Hawks, porque é uma equipe que abraça de verdade quem vem de fora, dá todo o suporte, mas não descartaria conhecer outras equipes, por questões de metodologia, treinamento, etc, como T-Rex, João Pessoa Espectros e Galo, por exemplo.”

Ele acredita que o cenário do FABR vi mudar muito após o fim da pandemia, já que são poucas as equipes que mantiveram seus atletas treinando e trabalhando na parte física, ainda que individualmente. Citou ainda o exemplo do Rex que mantém 40 atletas treinando três vezes por semana todas as semanas, algo bem raro aqui no Brasil. Mas ele também acredita que times considerados pequenos ou menores que também conseguiram manter atletas ativos voltarão maiores e alguns considerados grandes podem enfraquecer bastante se não conseguiram manter os atletas ativos.

Em uma espécie de bate-bola, fizemos algumas perguntas sobre Seleção Brasileira, adversários mais duros e o melhor jogo que ele já fez, leiam o que ele disse:

Seleção Brasileira, pensa em chegar lá?

– “Todo atleta sonha com a seleção brasileira, de qualquer esporte. No meu caso eu entendo que seria uma conquista pessoal, o reconhecimento do trabalho duro, mas não é algo que eu miro como objetivo, porque não existem tantos jogos entre seleções, seria mais uma questão de status.”

Qual foi o atleta mais duro que já enfrentou?

“Lá na Espanha o mais duro que enfrente foi um atleta mexicano do time de Madri, não me lembro o nome dele, infelizmente.

Já aqui no Brasil foi o Jhonas, camisa 60 do São José Istepôs, sempre quando jogo contra ele é barra pesada.”

E se fosse para escolher, consegue falar qual foi seu melhor jogo na carreira?

– “O meu melhor jogo foi em 2019 contra o Santa Maria Soldiers nos playoffs, tenho até Highlights no meu Instagram. Contra o Rex também foi um dos melhores jogos e contra o Jaraguá Breakers foi bom também, mas fico dividido entre Rex e Soldiers.”

A verdade é que Golden Boy nasceu para brilhar e o Gabriel Raeder, com apenas 22 anos ainda tem muito para evoluir e mostrar para o Futebol Americano, seja nacionalmente ou internacionalmente falando.

Temos certeza que ainda iremos ouvir falar muito desse camisa 60 por aí, podem anotar.

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