A história do maior clássico do Futebol Americano Brasil – João Pessoa Espectros X Recife Mariners

Por Filipi Junio – Bibliotecário e analista de dados // Mapa do Fabr.

OS PRIMEIROS JOGOS NO PADS

O ano era 2009 e o Campeonato Paraibano de Futebol Americano estava chegando a sua terceira edição com uma novidade: os jogos aconteceriam na grama ao invés das areias do litoral paraibano. Sete times confirmaram presença na competição? Borborema Troopers, Campina Titans, João Pessoa Bolts, João Pessoa Espectros, Paraíba Búfalos, Paraíba Hurricanes e Recife Mariners, que foi convidado porque ainda não havia torneio no seu estado.
A história do maior clássico do Nordeste começou no dia 10 de outubro de 2009, em uma partida válida pelo Paraíba Bowl III. Com touchdowns de nomes que marcaram época no Espectros, entre eles Ícaro Moraes e Rinaldo Mitref, o time paraibano venceu o primeiro confronto por 45 a 13. Existem poucos registros da partida, apenas vídeos com lances do Espectros, que já contava com o protagonismo Igor Nery, Flávio Gouveia e Edvaldo “Pezão”, que estão no time até hoje. Os dois times voltaram a se enfrentar na final do PB Bowl, que aconteceu no dia 12 de dezembro e terminou com mais uma vitória do Espectros por 38 a 25.

2011: OS PRIMEIROS JOGOS EQUIPADOS

João Pessoa Espectros e Recife Mariners voltaram a se enfrentar 581 dias depois da final do PB Bowl III. No dia 17 de julho de 2011, os dois times viajaram até Cabo de Santo Agostinho/PE para disputar o primeiro duelo full pads, em partida válida pela Liga Nordestina (Linefa). Em um duelo definido nos detalhes, o Espectros venceu por 7 a 2, graças a uma corrida para touchdown do QB Rinaldo Mitref.
O equilíbrio do primeiro duelo de 2011 não se repetiu quando os times voltaram a se encontrar em João Pessoa semanas depois. O Mariners largou na frente com um touchdown corrido do Felipe “Frajola”, mas o Espectros assumiu a liderança rapidamente com touchdowns corridos do Everton Antero “Pingo” e Alison Morais (2x). Para fechar a partida, o QB Rinaldo Mitref fez dois passes para touchdowns para Diego Nascimento e Ícaro Moraes. O kicker Jackson Rocha acertou 4 extra points e os paraibanos venceram por 34 a 7.
O terceiro confronto aconteceu ainda em 2011, dessa vez valendo a final da Linefa. A história não foi muito diferente do jogo anterior, os paraibanos dominaram o jogo todo e não deram chances para os pernambucanos sonharem com a vitória. Com direito a show do QB Rinaldo Mitref, que correu para três touchdowns e fez um passe para Guilherme Nascimento anotar outro, o Espectros derrotou o Mariners por 34 a 2 e sagrou-se campeão nordestino pela segunda vez.

Advertisements



2012

Após firmar uma parceria com o Botafogo da Paraíba, o time paraibano passou a se chamar Botafogo Espectros e estreou no Campeonato Brasileiro de 2012 contra o Mariners em Recife. O primeiro duelo entre os dois times começou como o anterior terminou, corrida do Rinaldo para touchdown e extra point do Jackson. Com a chegada da chuva, o jogo passou a ser dominado pelo jogo corrido e o Espectros marcou mais dois touchdowns assim com Alison Morais, indo para o intervalo com uma vantagem de 20 a 0.
A defesa do Mariners resolveu aparecer no terceiro quarto e dificultou bastante a vida do ataque paraibano, mas não o suficiente para evitar um belo passe de 35 jardas de Rinaldo para Diego, que se livrou da boa marcação e chegou na endzone. Em uma das poucas boas jogadas feitas pelo ataque pernambucano, o RB Raphael Cortez “Guri” encontrou muito espaço e correu mais de 80 jardas para o touchdown. O Espectros voltou a ampliar com Caio “Sherman”, que após um punt mal executado, retornou até a endzone. Para fechar o placar em 43 a 6, o QB Rodrigo Dantas entrou em campo, fez um passe para Gustavo Pacheco anotar seu touchdown e converteu dois pontos.
O clássico voltou a acontecer na última rodada da temporada regular de 2012 e o Espectros, dono do melhor ataque e defesa do país na época, não deu descanso para os Marinheiros. Foram 8 touchdowns anotados por Alison Morais (3x), Ícaro Moraes (2x), Flavinho Gouveia (2x) e Vitor Ramalho. Everton Antero “Pingo” e Cauê Colaco conseguiram converter 2 pontos, o kicker Jackson Rocha acertou 6 extra points e o QB Rinaldo Mitref fez dois passes para touchdowns.

2013

Após a última vitória de 2012, o Espectros foi campeão nordestino pela terceira vez, após vencer o América Bulls (atual Bulls Potiguares), e chegou ao Brasil Bowl pela primeira vez, perdendo para o Cuiabá Arsenal por 21 a 20. Os dois times não se enfrentaram em 2013, mas foi por pouco que isso não aconteceu. O Mariners caiu no wildcard para o Ceará Cangaceiros (atual Ceará Caçadores) e o Espectros sagrou-se campeão nordestino pela quarta vez, venceu o São Paulo Storm nos playoffs nacionais e foi derrotado pelo Coritiba Crocodiles no Brasil Bowl.

2014

Depois de 778 dias, maior período sem jogos entre os dois, Espectros e Mariners voltaram a se enfrentar em Recife, em partida válida pela última rodada da temporada regular de 2014. O Mariners veio para a temporada com dois reforços americanos, o DB/R T.L. Edwards e o QB Drew Banks, que elevou o nível do time o suficiente para quebrar o tabu contra o Espectros.
O primeiro quarto da partida foi bastante truncado e marcado pelo domínio das defesas. O placar foi inaugurado no começo do segundo quarto por T. L. Edwards após um retorno de punt de 54 jardas. No drive seguinte, o Espectros conseguiu avançar um pouco no campo e devolveu mais uma vez a bola para o Mariners. Dou outro lado estava Edwards, que pegou a bola na linha de 20 jardas, quebrou uma dezena de tackles e chegou a endzone para marcar seu segundo touchdown. Antes de ir para o intervalo, o Espectros diminuiu com um passe do Rodrigo Dantas para Felipe Golzio, seguido de um extra point do Diego Aranha.
O terceiro quarto começou com as defesas dominando as ações, mas após uma longa campanha, o RB Raphael Cortez “Guri” aumentou a vantagem do Mariners, 18 a 7. O Espectros tentou uma reação, mas todas as ações eram paradas pela defesa pernambucana, com destaque para Edwards, que conseguiu interceptar Dantas em uma das ocasiões. Em mais uma bela campanha liderada por Drew Banks, o Mariners chegou ao seu quarto touchdown após passe do americano para Mateus Camarotti. Para fechar o jogo com chave de ouro, Junior Borges interceptou Dantas mais uma vez.


Os dois times voltaram a se encontrar na final da Superliga Nordeste e o foi um espetáculo. Com mais de 7 mil torcedores na Arena Pernambuco, o Espectros saiu na frente após Dantas encontrar Ednaldo “Massu” livre na endzone para marcar o touchdown, seguido do extra point do Diego Aranha. Na sequência, Drew Banks liderou o ataque do Mariners até a redzone, mas a defesa do Espectros acordou e parou o ataque adversário na linha de 9 jardas. Para o Mariners restou o field goal convertido pelo Rafael Bandeira.
Após o início avassalador de ambos os ataques, o jogo se equilibrou no restante do primeiro quarto e parte do segundo, muito graças ao excesso de faltas e as boas atuações das defesas. No começo do segundo quarto, o ataque do Espectros chegou na redzone e foi barrado pela defesa azul. Na tentativa de field goal, Aranha errou um chute de 35 jardas, mas se redimiu no final do quarto com um chute de 29 jardas.
Após um rápido three and out do ataque pernambucano, com destaque para o sack do Marcos Hércules, o Espectros voltou ao ataque com 01:24 para o fim do primeiro tempo e não perdoou. Mais um belo passe de Dantas para Massu e touchdown do Espectros. Com 44 segundos restando, o Mariners reagiu rapidamente e conseguiu um touchdown após passe de Banks para Vinicius Angelo, 17 a 10 para o Espectros.
O jogo continuou equilibrado e o Mariners conseguiu diminuir a diferença após um safety forçado pelo special teams. A reação do time de Recife parou por aí e o Espectros deslanchou no último quarto com três touchdowns de Felipe Golzio, após passe de Dantas, Ícaro Moraes, em uma bela corrida de 25 jardas pela direita, e, novamente, Massu recebendo livre para fechar o placar em 38 a 12. Espectros pentacampeão nordestino.

Advertisements



2015

Espectros e Mariners se enfrentaram mais uma vez na abertura da temporada e o roteiro não foi diferente do ano anterior, apenas mais dramático. Jogando em casa, o Espectros tratou de abrir o placar logo na sua primeira campanha com um field goal de 29 jardas do Diego Aranha. O primeiro tempo não foi bom para ambos os ataques. O excesso de faltas e os turnovers cometidos por Drew Banks, foram duas interceptações, ambas do William Silva, impediram maiores avanços do Mariners. Do outro lado, os mandantes também sofreram com as faltas, um touchdown foi anulado após holding, e turnovers, Alison Moraes sofreu um fumble na linha de 10 jardas do ataque. Para fechar o primeiro tempo, Aranha acertou mais um field goal
Os problemas continuaram a atrapalhar ambos os times, principalmente a defesa paraibana, e o Mariners virou com um passe de Banks para Lucas Adolfo na endzone, seguido do extra point de Rafael Bandeira. Pouco mudou após o touchdown, as faltam continuaram (32 ao longo da partida e 309 jardas em faltas) e os times trocaram punts e turnovers, foram 8 ao longo da partida. A virada do Espectros veio após Dantas encontrar Massu livre para anotar o touchdown, 12 a 7. Se o ataque de Recife não funcionava, Dantas aproveitou o bom momento e fez mais um passe para touchdown, dessa vez para Bene Harley, seguido de extra point, 19 a 7.
Com pouco tempo, Banks arriscou no jogo aéreo, conseguiu levar o time até o campo de ataque e fez um lindo passe de 37 jardas para T. L. Edwards anotar o touchdown, sem conversão de 2 pontos. Faltando 33 segundos, o placar estava 19 a 13 para o Espectros e o Mariners arriscou tudo com um onside kick de Bandeira e recuperado pelo LB Samuel Braz. O Mariners estava a 54 jardas da vitória e Banks conseguiu uma conexão de 37 jardas para Júlio Acioly. Bola na linha de 17 jardas e Drew passa para Vinicius Angelo anotar o touchdown, que foi anulado após uma falta. mas uma falta. Linha de 27 jardas e Drew corre até a endzone, novamente anulado, mas dessa vez foi porque o jogador pisou fora na linha de 1 jarda. A virada estava nos pés do kicker Rafael Bandeira, um dos melhores do país, que não sentiu a pressão e virou o placar. Esta foi a primeira derrota do Espectros para uma equipe nordestina dentro de casa. Histórico.
O confronto voltou a acontecer em outubro e tivemos mais um jogaço. O primeiro tempo foi fraco em termos de pontuações, principalmente pela ineficiência dos ataques na redzone. O Espectros saiu na frente com um field goal do Aranha, que logo foi revidado por outro chute certeiro do Rafael Bandeira. No segundo quarto, após muitas tentativas, o Espectros anotou um touchdown corrido com Ícaro Moraes, seguido de extra point. Logo na sequência, o Mariners descontou com outro chute do Rafael, indo para o intervalor perdendo por 10 a 6.
O terceiro quarto foi uma troca de punts e sem grandes ações ofensivas. Os dois times resolveram deixar todas as emoções para o último quarto. Nos primeiros minutos, Drew Banks correu 9 jardas e virou o placar, colocando fogo na partida, principalmente após o special teams paraibano bloquear o extra point. O Espectros não se abateu e rapidamente retomou a liderança com uma corrida do Pingo, mas sem sucesso na conversão de 2 pintos. Quatro snaps depois, Banks fez um passe de 30 jardas para Júlio Acioly marcar o touchdown, seguido do extra point. 19 a 16 Mariners.
Com o jogando chegando ao fim, o Espectros avançou o máximo que pode e deixou Aranha a 46 jardas do field goal. O kicker chutou e errou, mas foi salvo pelo timout pedido pelo Mariners. Na segunda chance Aranha não perdoou e empatou a partida em 19 a 19. Os donos da casa ainda tinham tempo suficiente para retomar a liderança, mas Banks foi interceptado por Hermano Guerra e deixou o Espectos a cerca de 25 jardas da endzone. Com uma defesa bem atenta e contando com as faltas dos paraibanos, o Mariners evitou o touchdown e os Fantasmas foram para um arriscado field goal de 57 jardas, que foi desperdiçado. Vamos para a prorrogação.
Com muitas dificuldades para ultrapassar a muralha pernambucana, por terra e ar, o Espectros decidiu arriscar uma quarta para 1 jarda e tudo deu errado. Com o ataque em campo, bastou o Mariners entregar a bola três vezes para Lucas Adolfo e comemorar mais uma virada histórica, 25 a 19.
Como era de se esperar, o confronto aconteceu mais uma vez na final nordestina e o equilíbrio predominou. No começo os times trocaram punts, mas em um dos chutes T. L. Edwards retornou até a linha de 43 jardas do ataque e deixou o Mariners mais próximo do touchdown. Em uma jogada de sorte, Banks fez um passe longo, que pipocou na mão do recebedor e acabou caindo na mão de outro do Mariners e colocou o time na redzone. Após uma corrida curta, Banks encontrou Ricardo Teixeira livre para anotar o touchdown, 7 a 0. O empate do Espectros veio no segundo quarto após Dantas acertar um passe de 10 jardas para Vitor Ramalho, 7 a 7.
No primeiro drive do terceiro quarto, o Espectros caminhou 86 jardas até a endzonte pernambucana e, após passe de Dantas para Antônio Diniz, virou o placar, mas sem extra point. O Mariners conseguia boas posições após os retornos, mas não conseguia aproveitar. Em uma das oportunidades, o time chegou na redzone e Banks, mais uma vez, foi displicente e acabou sendo interceptado por Vitor Veloso. O jogo continuou muito igual e o Mariners virou o placar no começo do último quarto com um passe preciso de Drew para Ricardo Teixeira, seguido do extra point.
Com a posse da bola e pouco mais de dois minutos no relógio, o Espectros avançou o suficiente para garantir uma boa posição para Aranha. O chute de 50 jardas era arriscado, mas não o suficiente para Aranha, que colocou força o suficiente para ela viajar umas 10 jardas a mais. Restavam 25 segundo para o término da partida, mas as tentativas de Drew Banks falharam e o Espectros conquistou o Nordeste pela sexta vez.
Se não bastassem todas as emoções dos duelos contra o Mariners, o Espectros fechou essa temporada de forma apoteótica. O time venceu o Brasil Bowl pela primeira vez e os segundos finais são insanos. Procurem no Youtube por “Brasil Bowl 2015”, escolham a partida completa e pulem para 2 horas e 51 minutos, é um dos momentos mais sensacionais da história do FABR.

Advertisements



2016

Diferente dos anos anteriores, Espectros e Mariners não se enfrentaram na rodada de abertura e sim no final da temporada regular. A partida valia a seed 2 e o mando de campo nos playoffs. Em mais um duelo de defesas, o Espectros saiu na frente com um field goal de Aranha, que foi antecedido por uma interceptação de Pezão contra Alex Niznak (não esqueça esse nome), novo quarterback do Mariners para a temporada.
No terceiro quarto, Aranha desperdiçou dois field goals, o que fez falta no final. Mesmo não fazendo uma boa partida, Niznak conseguiu encontrar Ricardo Teixeira livre para marcar o touchdown, seguido do extra point de Bandeira. Foi nesse que surgiu Callus Cox na história do clássico. O americano recebeu o kickoff, correu o campo todo e virou a partida para o Espectros, 10 a 7.
Faltando pouco para acabar o jogo, o Mariners estava a menos de 5 jardas da endzone e Niznak resolveu correr pela direita, mas não contava com a boa leitura da defesa e foi facilmente tackleado. Não se sabe como, mas milésimos antes de cair, Niznak jogou a bola para a endzone e Eduardo Palácio anotou o touchdown, seguido do extra point de Bandeira. O Espectros ainda tinha tempo para tentar algo, mas em mais uma jogada de pura sorte, o kicker pernambucano tentou um squib kick, a bola bateu no calcanhar de um jogador do Espectros e o Mariners recuperou para acabar com a partida.
Os dois times voltaram a se enfrentar um mês depois na primeira rodada dos playoffs. O que vimos foi um replay dos últimos confrontos, defesas dominando e ataques pouco produtivos. O jogo foi para o intervalo zerado, não voltou muito diferente e foi definido graças aos erros do ataque pernambucano. Em uma sequência inacreditável de passes ruins, Niznak lançou para duas interceptações, a primeira para Flavinho Gouvêia, que foi anulada, e outra para Cox, que retornou até a endzone. Aranha acertou o extra point.
No ataque seguinte, a defesa do Espectros forçou um three and out e o Mariners chutou um punt horrível, deixando os paraibanos na redzone. Sem conseguir aproveitar a falha, o Espectros se contentou com um field goal de Diego Aranha. No último quarto, o Espectros conseguiu se encontrar no ataque e Vitor Ramalho, que substituiu Dantas desde julho, fez um belo passe para Massu aumentar a vantagem para 16 pontos. Com pouco tempo para tentar uma reação, o Mariners diminuiu a vantagem com um passe de Niznak para Vinícius ngelo e uma conversão de 2 pontos do Augusto Bezerra. 16 a 8 para o Espectros.

Advertisements



LIGA BFA 2017

O único duelo de 2017 aconteceu na última rodada da temporada regular da BFA. Ambos estavam classificados para os playoffs e embalados na competição. Avassalador, o Espectros abriu uma vantagem de 24 pontos no primeiro tempo com touchdowns do Heron, Pingo e Flavinho, que interceptou Alex Allen “Train”, running back que estava jogando improvisado de quarterback. Aranha acertou três extra points e um field goal.
O segundo tempo foi bastante morno. Os ataques não produziram muito e os pontos vieram após turnovers. Pelo Espectros, Flavinho interceptou Alex novamente e deixou seu ataque em ótima posição, bastando uma corrida de Pingo para anotar o touchdown, 31 a 0. A única pontuação do Mariners veio no último quarto com Vitor Nescau, que recuperou um fumble e correu até a endzone.



2018

Em 2018, o primeiro clássico aconteceu na segunda rodada e foi bastante equilibrado até o intervalo. O ataque do Espectros contava com uma nova arma, o running back Lucas Adolfo, revelado no Mariners, fundamental na primeira campanha do jogo, que resultou em passe de Dantas para Vitor Ramalho pontuar. O Mariners também contava com um reforço, o quarterback americano Jake Schimenz, que liderou o time até a redzone e passou para Artur Ramos anotar o touchdown. Na tentativa de extra point, Rafael Bandeira teve seu chute bloqueado e retornado por Ramalho, 9 a 6. Os pernambucanos viraram após a defesa forçar um fumble e Jake acertar um belo passe para Rafael Tavares na endzone. Na conversão, Bandeira foi mais uma vez bloqueado e Cox retornou para dois pontos, 12 a 11.
Na campanha seguinte, Dantas comandou o ataque até a redzone e Jonatha Carvalho garantiu a virada. A defesa do Espectros entrou de vez no jogo e conseguiu forçar mais um punt. Novamente no ataque, Dantas manteve o time bastante tempo em campo e chegou a endzone após passar para Denner Lucena aumentar o placar. Antes do fim do segundo quarto, Jake conseguiu diminuir a diferença após passe para Pedro Brito, 25 a 18.
No terceiro quarto, a lei do ex entrou em ação. Após Jake ser interceptado, o ataque do Espectros ficou bem próximo do touchdown, o que aconteceu com uma corrida curta de Lucas Adolfo. Daí em diante o Mariners não teve mais chances, foram dois touchdowns de retorno de punt de Cox e um field goal de Aranha. Para fechar o placar, Jake correu para o touchdown e ainda passou para Eduardo Palácio garantir mais dois pontos. Espectros 49 a 26.
Após dois anos longe da final do Nordeste, o Mariners voltou a enfrentar o Espectros, mas dessa vez não existiu equilíbrio. Com touchdowns de Heron Azevedo, Callus Cox, Denner Lucena, Vitor Ramalho e Rodrigo Dantas, que também passou para dois touchdowns, o Espectros venceu por 39 a 3, chegando ao seu 9º título nordestino.

Advertisements



2019

A temporada de 2019 começou repleta de expectativas, o Espectros estava de quarterback novo, já que Dantas tinha sofrido uma grave lesão na temporada anterior, e o Mariners voltou com Jake Schimenz e o defensor Oshay Dunmore, que estava no rival no ano anterior. O Espectros trouxe um velho conhecido dos pernambucanos para comandar o time, Alex Niznak, que não teve uma ótima passagem por lá, mas voltou com tudo para o Brasil. O time paraibano chegou na última rodada da temporada regular como um favorito inquestionável. A defesa estava cedendo 8,2 pontos por jogo, o ataque fazendo 51,4 pontos e a presença de Niznak elevou ainda mais o nível do time. Mas as coisas em Recife não eram diferentes, já que Schimenz voltou melhor do que nunca e o ataque e defesa estavam bem equilibrados.
O clássico aconteceu na última rodada e valia a seed 1 do Nordeste. Ambos estavam invictos e o duelo nunca foi tão aguardado. O jogo começou nervoso, foram muitas faltas e drops inacreditáveis de ambos os lados. Na terceira campanha da partida, Oshay retornou até o campo de ataque e o Mariners avançou aos poucos com boas corridas de Lucas Adolfo, que voltou para casa, e Jake, que anotou o touchdown em uma corrida de 14 jardas, 6 a 0.
No kickoff, o kicker do Mariners chutou curto e o jogador do Espectros deixou a bola escapar e ser recuperada pelos pernambucanos. Com a bola no campo de ataque, não demorou muito para o Mariners aumentar a vantagem. Jake encontrou Oshay livre no meio do campo e o camisa 7 ainda driblou três adversário até chegar na endzone. 14 a 0 após a conversão de Adolfo.
Sem brilho no ataque, o Espectros sofria na defesa. Jake estava impossível, quando não conseguia lançar suas big plays, castigava com as pernas. Em mais uma longa campanha, Jake finalizou com um lindo passe de 38 jardas para Japa, que deixou o experiente Flavinho na saudade e entrou na endzone livre de marcação, 20 a 0.
Após um começo de troca de punts, o Espectros saiu do zero no terceiro quarto com um passe curto de Niznak para Heron Azevedo, mas o dia era do Mariners, mais especificamente do Jake. Com corridas curtas e passes longos, o Mariners chegou na redzone e o americano não perdoou, correu lateralmente, sofreu um fumble, recuperou e correu 8 jardas até a endzone, 28 a 6 após a conversão de 2 pontos.
O Espectros conseguiu uma bela campanha ofensiva no começo do último quarto e chegou com um passe de Niznak para Vitor Ramalho, 28 a 13. A defesa do Espectros forçou um fumble e acendeu a chama da esperança, mas isso durou pouco. O Espectros não aproveitou o turnover e devolveu a bola para o Mariners na linha de 45 jardas do campo de ataque. Foram necessárias poucas jogadas para uma nova pontuação, dessa vez com Lucas Adolfo por terra, 35 a 13. No finalzinho da partida, Niznak fez um lindo passe de 46 jardas para Heron diminuir a diferença, mas era tarde demais, Mariners 35 a 19.
O duelo voltou a acontecer dois meses depois em mais uma final nordestina e o cenário foi muito diferente. As defesas dominaram e o jogo foi um show de turnovers. Jake foi interceptado por Cox logo na primeira campanha, mas não demorou muito para a defesa azul forçar e recuperar um fumble, deixando o ataque quase na mesma posição. O Mariners conseguiu chegar na jarda 2 do ataque e parecia que o placar seria inaugurado, mas o grande nome da partida, Cox, apareceu mais uma vez para interceptar seu conterrâneo.
O Espectros conseguiu bons avanços e chegou no ataque, mas o fantasma dos turnovers apareceu mais uma vez. Em bela corrida de Jonatha Carvalho, a defesa azul forçou um fumble e recuperou a bola na linha de 23 jardas da defesa. Após ótimas conexões com Japa, Jake chegou na endzone após correr livre pelo meio, 6 a 0. A reação do Espectros foi imediata. Após uma boa sequência de passes, o time chegou na redzone e bastou entregar a bola para Jonatha correr com facilidade pelo meio da linha ofensiva, 6 a 6.
Na volta do intervalo, o Mariners tentou mais um onside kick e o Espectros iniciou sua campanha no ataque. Sem gastar muito tempo, Niznak lançou um passe preciso para Denner Lucena anotar o touchdown da virada, 13 a 6 após o extra point de Aranha. Com uma defesa dominante, os paraibanos forçaram o 3&out e, após um punt horrível, iniciaram a campanha ofensiva na linha de 40 do ataque. Assim como no drive anterior, Niznak não perdoou e fez um passe de 42 jardas para Cox, que caiu na linha de 1 jarda. O quarterback finalizou a jogada com uma corrida curta pelo meio, 19 a 6.
Desesperado, o Mariners começou a forçar passes e Cox não perdoou. O americano fez sua terceira interceptação, retornou 65 jardas até a endzone e viu sua épica jogada ser anulada por uma falta. Mesmo com o touchdown anulado, o Espectros já estava no ataque e Niznak começou a fazer a diferença. Em uma pegadinha, Niznak entregou a bola para o corredor, que devolveu para o americano encontrar Heron livre para o touchdown, 26 a 6.
O último quarto foi marcado pelas interceptações do Caçula para o Mariners e a quarta de Cox, punts e pela ineficiência ofensiva de ambos os times. O Mariners diminuiu a diferença com um retorno de 60 jardas do Japa, mas era tarde demais. Espectros decacampeão nordestino e, mais tarde, bicampeão nacional após derrotar o Galo FA nas semifinais e o T-Rex no Brasil Bowl.
João Pessoa Espectros e Recife Mariners sempre serão garantia de espetáculo, por isso é um dos maiores clássicos do país. Para finalizar, sem clubismo, derrotar o Espectros na temporada regular não é impossível, mas fazer o mesmo nos playoffs é algo impossível, até agora, para qualquer time do Nordeste.



LISTA DE JOGOS


10/10/2009 – João Pessoa Espectros 45 x 13 Recife Mariners – PB Bowl – (João Pessoa)
12/12/2009 – João Pessoa Espectros 38 x 25 Recife Mariners – PB Bowl – (João Pessoa)
16/07/2011 – João Pessoa Espectros 7 x 2 Recife Mariners – Liga Nordestina (Cabo Santo Agostinho)
25/09/2011 – Recife Mariners 7 x 34 João Pessoa Espectros – Liga Nordestina (João Pessoa)
12/11/2011 – João Pessoa Espectros 34 x 2 Recife Mariners – Liga Nordestina (João Pessoa)
01/07/2012 – João Pessoa Espectros 43 x 6 Recife Mariners – Campeonato Brasileiro (João Pessoa)
02/09/2012 – Recife Mariners 0 x 58 João Pessoa Espectros – Campeonato Brasileiro (Camaragibe/PE)
19/10/2014 – Recife Mariners 24 x 7 João Pessoa Espectros – Superliga Nacional (Recife/PE)
30/11/2014 – Recife Mariners 12 x 38 João Pessoa Espectros – Superliga Nacional (São Lourenço da Mata/PE)
21/06/2015 – João Pessoa Espectros 19 x 20 Recife Mariners – Superliga Nacional (João Pessoa)
11/10/2015 – Recife Mariners 25 x 19 João Pessoa Espectros – Superliga Nacional (Recife)
22/11/2015 – Recife Mariners 14 x 16 João Pessoa Espectros – Superliga Nacional (São Lourenço da Mata/PE)
25/09/2016 – João Pessoa Espectros 10 x 14 Recife Mariners – Superliga Nacional (João Pessoa)
23/10/2016 – Recife Mariners 8 x 16 João Pessoa Espectros – Superliga Nacional (Recife)
17/09/2017 – Recife Mariners 6 x 31 João Pessoa Espectros – BFA Elite (São Lourenço da Mata/PE)
19/08/2018 – João Pessoa Espectros 49 x 26 Recife Mariners – BFA Elite (João Pessoa)
03/11/2018 – João Pessoa Espectros 39 x 3 Recife Mariners – BFA Elite (João Pessoa)
29/09/2019 – Recife Mariners 35 x 19 João Pessoa Espectros – BFA Elite (São Lourenço da Mata/PE)
02/11/2019 Recife Mariners 12 x 26 João Pessoa Espectros – BFA Elite (São Lourenço da Mata/PE)

MAIORES PONTUADORES DO ESPECTROS
Diego Aranha
61 pontos
Alison Morais
48 pontos
Callus Cox
32 pontos
Rinaldo Mitref
32 pontos
Vitor Ramalho
32 pontos
Ednaldo “Massu”
30 pontos
Heron Azevedo
30 pontos
Ícaro Moraes
30 pontos
Everton “Pingo”
26 pontos
Diego Nascimento
24 pontos

MAIORES PONTUADORES DO MARINERS
Jake Schimenz
24 pontos
Lucas Adolfo
20 pontos
Rafael Bandeira
20 pontos
Ricardo Teixeira
18 pontos
TL Edwards
18 pontos
Jonathas “Japa”
14 pontos
Raphael “Guri”
12 pontos
Eduardo Palácio
8 pontos
Artur Ramos, Drew Banks, Felipe “Frajola”, Júlio Acioly, Mateus Camarotti, Oshay Dunmore, Pedro Brito, Rafael Tavares, Vinicius Angelo, Vinícius ngelo e Vitor Nescau
6 pontos

Advertisements
Advertisements

Playoffs de Devin White e o dinamismo do Linebacker moderno

Por Maurício Faé – Treinador e Scouter // Santa Maria Soldiers.

O futebol americano é um esporte em constante evolução. A cada temporada novos sistemas nascem, ajustes são feitos e o dinamismo da NFL está cada vez maior. Saímos da era onde o jogo físico, com box lotado e ataques terrestres eram dominantes, para um liga aberta, onde as equipes espalham mais os seus jogadores e, consequentemente, o jogo aéreo passou a assumir o protagonismo.


Com essa mudança de tendência, os jogadores também passaram por adaptações. Aquele perfil de atletas extremamente fortes e pesados, começou a dar espaço para a velocidade e o atletismo demandado no atual cenário. Me arrisco a dizer que a posição que mais teve que se adaptar foi a de linebacker, pois a exigência por um dinamismo é gigante. Combater o jogo corrido, ter capacidade para realizar marcação em zona e ainda cobrir Running Backs e Tight Ends no mano a mano, principalmente com o surgimento de exímios recebedores nessas posições, como Christian McCafrey, Dalvin Cook, Travis Kelce e Darren Waller, não é uma tarefa nada fácil.


Linebackers especialistas no combate ao jogo corrido como Ray Lewis e Brian Urlacher deram lugar a Luke Kueckly e Bobby Wagner, jogadores mais versáteis e que durante a carreira mantiveram a eficiência contra ataques terrestres, mas também trouxeram versatilidade contra o jogo aéreo, entretanto o cenário segue mudando e a velocidade do jogo continua aumentando, os estímulos estão cada vez mais complexos, a elevada gama de opções de screen pass, read option e run-pass-option estão ai para comprovar, por isso a nova geração de linebackers está ainda mais rápida e dinâmica, um bom exemplo disso é Devin White.

Advertisements


White é um atleta completo e vem mostrando isso desde seus tempos de LSU Tiger. Seus números no College Football foram excelentes, o defensor acumulou quase 300 tackles durante sua carreira universitária, além de 8.5 sacks e 4 fumbles forçados. Sua velocidade sempre o colocou em ótima posição para agredir o backfield e cobrir o campo, entretanto, para mim, o fator que mais dá destaque ao jogador é a sua capacidade de flutuar de sideline a sideline, ele consegue fazer jogadas em todas as partes do campo, sendo eficiente contra praticamente todo tipo de ataque.

No combine, White teve uma performance excelente, ele mostrou toda sua capacidade atlética e obteve números muito consistentes como 22 repetições no bench press e a impressionante marca de 4.42s nas 40 jardas, além de impressionar os olheiros das equipes com um footwook excepcional. Uma carreira sólida em LSU e a ótima apresentação no combine, colocaram o prospecto no topo da lista do linebackers para o draft de 2019. O Tampa Bay Buccaneers não perdeu tempo e selecionou White como a quinta escolha geral, mostrando a valorização do talento apresentado pelo jogador.


Devin vem provando que toda expectativa criada sobre sua performance não foi em vão, o atleta acumula prêmios individuais como “Novato do mês” e “Jogador da semana” desde o início da sua promissora carreira que, numericamente, já tem mais de 230 tackles e 11.5 sacks. Seu dinamismo em campo o coloca entre os melhores linebackers da NFL já no seu segundo ano, o seu domínio de sideline a sideline foi tão impactante que rendeu ao atleta a seleção para o “NFL All-Pro Second Team 2020”.


A curta carreira de Devin White até aqui, teve seu auge nos playoffs da temporada 2020/21, onde junto com uma linha defensiva sólida e a prolífica parceria com Lavonte Davis, colocou a defesa de Tampa como uma das melhores da liga. Os números de White na pós temporada foram mágicos, o defensor acumulou 38 tackles, além de 2 INT, sendo uma delas na reta final do Super Bowl LV, o que ajudou muito o ataque de Tom Brady a levar o troféu Vince Lombardi para a Florida.


O Tampa Bay Buccaneers utiliza um padrão defensivo 34 (3 DL e 4 LB), rodando muito stunt com sua linha defensiva. Esse sistema requer muita inteligência e velocidade para os Inside Linebackers, e White tem conseguido cumprir com sua função de forma excepcional. Ele tem se mostrado versátil contra o jogo corrido, tendo capacidade de destruir bloqueios e fazer tackles na linha de scrimmage, além de ser muito eficiente contra corridas laterais e screen game.

O camisa 45 dos Bucs tem se mostrado também habilidoso contra o jogo aéreo, seja cobrindo zonas do campo ou até mesmo pressionando o quarterback adversário. Uma das características que White ainda precisa evoluir no seu jogo é a marcação homem a homem, pois ele ainda apresenta alguma dificuldade quando é recrutado para tal função, para sua sorte, Todd Bowles, coordenador defensivo de Tampa, consegue usar todo seu talento da melhor forma possível e minimizar essa sua fragilidade.


É inegável que Devin White é um prospecto com teto gigantesco e ainda está longe de atingir o auge da sua carreira, sua evolução do primeiro para o segundo ano na liga foi nítida, além disso a cada jogo o defensor é mais líder dentro do grupo, mostrando senso coletivo, como mencionou na sua entrevista após o título do Super Bowl LV, em cima do poderoso ataque do Kansas City Chiefs de Patrick Mahomes: “Não seriamos arrogantes de enfrentá-los em cover 1 (homem a homem), dizendo que nossos melhores caras iriam acabar com os melhores deles. Nós íamos fazer com que fosse uma vitória coletiva na defesa, e foi isso que fizemos”.


Minha expectativa como amante da NFL e apreciador da posição de linebacker é que Devin White tem todos os atributos para marcar época e se tornar um dos grandes, mas ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa, vamos aguardar as próximas temporadas e ver até onde o defensor de apenas 23 anos pode chegar.

Advertisements
Advertisements

Tight end: por que é tão difícil o desenvolvimento da posição no Brasil?

Por Maurício Faé – Treinador e Scouter // Santa Maria Soldiers.

“Tight end é um híbrido entre um ofensive lineman e um wide receiver”, certamente você já ouviu essa frase por aí, mas ela é realmente verdadeira?

Advertisements


Penso muito sobre essa frase e não consigo chegar a uma conclusão, pois de fato ela tem sentido teórico, mas ainda me questiono sobre a parte prática dela. Tendo a NFL como parâmetro, quantos tight ends vocês conhecem que realmente são bons bloqueadores e recebedores?
Provavelmente, do o título até aqui, vocês estão tentando lembrar sobre os bons tight ends da liga e dificilmente tenham ido além de Rob Gronkowski, Travis Kelce e George Kittle, talvez os acompanhantes mais assíduos da NFL tenham lembrado dos tempos áureos do Jimmy Graham em New Orleans e agora do Darren Waller nos Raiders, mas certamente a lista começa a diminuir depois desses nomes.

Advertisements


Analisando de forma superficial esses 5 nomes, talvez Gronk e Kittle sejam exímios bloqueadores e recebedores, já os outros 3 são ótimos recebedores, mas que convivem com críticas em relação a sua qualidade bloqueando. Todos têm ou tiveram destaque na liga, então o tight end precisa mesmo ser excelente em ambas as características para ter relevância? Para mim a resposta é: DEPENDE!


Um tight end deve se adaptar ao sistema de jogo do seu time, ou melhor, o estilo de jogo do seu time é que deve se adaptar ao seu tight end. A disputa Kelce x Kittle só existe porque tanto o ataque dos Chiefs quanto o dos 49ers é estruturado para tirar o máximo desses dois jogadores. Kelce foi um dos jogadores com mais jardas recebidas na temporada 2020/21, recebendo muitos passes do Patrick Mahomes, enquanto Kittle é lembrado pelo dinamismo que traz para o jogo corrido por zona do Kyle Shanahan. Agora pensem comigo, eles teriam o mesmo sucesso se os times e sistemas fossem invertidos? Provavelmente não…


Dentro da nossa realidade, é inegável que o futebol americano no Brasil (FABR) ainda está bem atrasado no desenvolvimento da posição, mas por que? Nossos jogadores não são bons o suficiente? Eles não entendem o objetivo da posição? Falta físico?… Garanto que vocês já ouviram muito esses questionamentos, mas quero trazer aqui um que é pouco falado: Será que nossos treinadores sabem como formar e utilizar um tight end?


Travis Kelce não é um exímio bloqueador, porque o tight end do seu time precisa obrigatoriamente ser? Será que o problema não está no seu sistema de jogo? Será que o coach não está querendo colocar um tight end recebedor na linha de scrimmage para bloquear um defensive line? Vou além, tecnicamente falando, teu time tem um coordenador de posição? Se sim, esse coordenador domina a demanda técnica que a posição exige? Ele consegue transmitir isso para os atletas?


Esse texto é uma provocação aos treinadores do FABR, e eu me incluo aqui. Nós realmente sabemos treinar e utilizar um tight end? A culpa é dos atletas que não tem o físico necessário ou é do treinador que não sabe os preparar para a função? É do jogador que não estuda a teoria ou do treinador que implanta um sistema com 4 wide receiver e deixa a posição em segundo plano? Questões para refletirmos…

Advertisements


Olhando pelo lado defensivo, jogar contra uma equipe que utiliza tight ends é muito mais difícil, pois traz fatores extras ao jogo. Aumento de superfície na linha de scrimmage, novos gaps, matchup no jogo aéreo, entre tantas outras possibilidades que geram conflito na defesa. Para criar algumas dessas situações de estresse, o tight end não precisa necessariamente ser um ótimo recebedor e bloqueador, mas ele pode trabalhar e evoluir um desses dois pontos e ser extremamente útil e eficiente para o ataque. E aqui entra o trabalho do treinador que é saber o perfil dos seus atletas e montar um sistema de jogo baseado no que tem em mãos.


Bom, até aqui tenho atribuído toda culpa da lentidão na evolução da posição no Brasil aos treinadores, mas não é algo exclusivo, os atletas também têm a sua parcela. Queira ou não, a descrição como híbrido entre ofensive lineman e wide receiver ainda nos confronta e aumenta bastante a demanda técnica e física. O jogador pode ser mais forte como bloqueador que como recebedor, mas ele não pode simplesmente ignorar a outra função, afinal de contas em algum momento ele será recrutado nos dois pontos. O treinador ensina, guia e auxilia, mas não é ele que coloca tudo isso em prática, é o atleta que vai para o campo, é o jogador que precisa trabalhar a parte física e deixar seu corpo apto para a posição.
Formar um bom tight end demanda evolução física e mental por parte do atleta, mas também encaixe no sistema de jogo desenvolvido pelo treinador, então façamos uma mea-culpa pela lentidão no desenvolvimento e talvez assim a posição comece a ter um destaque maior nos próximos anos no cenário nacional.

Advertisements
Advertisements

Under-23: Guilherme Stutz – Rio Football Academy

Por Marcelo Taveira – Manager // Confederação Brasileira de Futebol Americano.

Advertisements

Se você perguntar para os atletas veteranos do Futebol Americano nacional o que gostariam que fosse diferente na trajetória deles no esporte, acredito que a grande maioria vai dizer: “Gostaria de ter descoberto o Futebol Americano mais cedo, enquanto era mais jovem.”.

Começar cedo no esporte pode ser considerado um privilégio para essa nova geração que vem aparecendo no cenário, que além de pegar times e campeonatos muito melhor estruturados do que o que se via há 10 anos atrás, já conseguem enxergar com maior facilidade os caminhos a se tomar e principalmente, os que não deve tomar.

E esse é o caso do Guilherme Tinoco Stutz, ou apenas Stutz. Ele é carioca, nascido em Duque de Caxias – RJ no dia 30/06/2003, ou seja, ele completou apenas 17 anos em 2020 e joga como Defensive End e Linebacker.

Se você não conhece ainda esse jovem, vamos fazer um breve resumo para você:
– Campeão do Torneio de Seleções Sub-19 pela RFA-RJ
– Campeão Carioca pelo Flamengo Imperadores em 2018
– All-Pro Nordeste da Liga BFA 2019
– Jogador da Semana 4 do Salão Oval 2019
– Second All-Team do Salão Oval 2019
– Time Defensivo do FA Nordeste 2019
– 58º Atleta no Top 100 Mapa do FABR 2019
– 8 Sacks em 2019 (Mapa do FABR)
– Selecionado para o Áurea Sports Golden Boy 2020

Advertisements



Ao ser entrevistado pela Tide Football, Stutz falou quando entrou no esporte e o que fez ele se apaixonar pelo Futebol Americano:

“Comecei a praticar em 2015. Meu irmão começou a treinar antes de mim e eu ia só assistir até que resolvi tentar e simplesmente me apaixonei pelo esporte.
(…)
A parte intelectual do esporte, toda a estratégia por trás de cada jogada foi o que fez com que eu me apaixonasse pelo esporte”.

Apesar da pouca idade, Stutz já possui uma maturidade que o diferencia da maioria dos atletas, novos ou veteranos no esporte. Perguntado sobre isso, ele respondeu que se considera um atleta diferenciado por questões físicas, mas principalmente pelo estudo do esporte, “isso faz com que a minha leitura dentro de campo seja muito boa fazendo com que eu reaja muito mais rápido”.

Parte das características de um bom atleta é a capacidade de sonhar alto, ter objetivos grandes para sua carreira. Guilherme se prepara diariamente visando o sonho de qualquer atleta de Futebol Americano, chegar à NFL, para isso, ele projeta que em até 2 anos estará fora do país aprimorando ainda mais a parte física e técnica para que consiga realizar esse sonho.

Enquanto a sua hora na NFL ainda não chega, ele segue trabalhando forte em terras brasileiras. No começo do ano ele foi anunciado e chegou a jogar pelo Rio Preto Weillers, de São José do Rio Preto – SP, mas a pandemia veio e acabou colocando um fim nessa parceria que prometia abalar o cenário paulista e nacional. Com isso, ele fechou com o Flamengo Imperadores – RJ para o ano de 2021, voltando para o seu quintal, de onde saiu para o FABR.

O Flamengo Imperadores já teve seus anos dourados e luta para voltar ao topo do FABR. Questionado sobre essa luta do Imperadores para voltar a disputar títulos, se sentia que o Flamengo estaria pronto para isso, ele afirmou:

“Sinto sim. Os últimos 3 anos foram de reconstrução do time. Assim como grande parte dos times grandes, chega uma época em que os melhores e mais antigos jogadores começam a se aposentar ou cair de rendimento, então esses 3 anos serviram para que os jovens atletas do time se desenvolvessem”.

Apesar de estarmos vivendo um ano atípico com essa pandemia da Covid-19, a Echelon Sports International, liderada pelo Kenneth Joshen (Agente da NFL) realizou o 1º Combine Aberto para Atletas em Brasília – DF, no belíssimo estádio do Mané Garrincha.

Stutz fez questão de participar e foi um dos destaques daquele evento, mesmo não estando no auge da sua forma física.
“Foi uma experiência incrível, fico feliz por ter me destacado, mas sinto que não foi o meu melhor desempenho em alguns drills do combine, mas a estrutura foi ótima e ter a chance de ter meus números todos certinhos é ótimo para buscar uma evolução no futuro”.

Números de Stutz no Combine:

– Bench Press (185lbs*): 30 repetições
– 40 Yard Dash: 5,05s
– 20 Yard Shuttle: 4,75s
– 3 Cone Drill: 7,53
– Vertical Jump: 27,6 inches**
– Broad Jump: 8’5” feet***
– 60 Yard Shuttle: 13,5s

*185 libras = 83,91 kgs
**27,6 inches = 70,10cm
*** 8’5” feet = 2,59 mts

Sabemos que os níveis ainda são muito diferentes, mas fazendo uma comparação com os dos ídolos de Stutz, o Outside Linebacker do Denver Broncos, Von Miller:

– Bench Press: 21 repetições*
– 40 Yard Dash: 4,42s
– 20 Yard Shuttle: 4,06s
– 3 Cone Drill: 6,70
– Vertical Jump: 37 inches**
– Broad Jump: 8’5” feet***
– 60 Yard Shuttle: 11,15s

*Na NFL os atletas fazem o Bench Press com 102,06 kgs
** 37 inches = 93,98cm
***10’5” feet = 3,20mts

Na época do Combine, em 2011, Von Miller tinha 22 anos. Os números do Stutz são de 2020 e ele está com 17 anos e apenas 4 destes anos foram treinando Futebol Americano.

Seria pessimismo dizer que ele não tem potencial para realizar o maior sonho dele de chegar à NFL.

E para finalizar, no ano de 2021 ele foi um dos selecionados para integrar a lista dos candidatos ao prêmio Áurea Sports Golden Boy, para os atletas destaque de até 23 anos, sendo ele o mais novo de todos os candidatos.

Para Stutz, foi uma forma legal de encarar esse reconhecimento: “Foi bom pra eu ter uma noção que as pessoas acompanham e gostam do meu trabalho, mas ainda não estou satisfeito com o que conquistei, quero muito mais e estou trabalhando duro pra isso acontecer”.

E ainda nesse tema, sobre jovens talentos, perguntamos o que ele acha que falta para surgirem cada vez mais “Golden Boys”, mais jovens talentos que fazem a diferença nas equipes:

“Acho que falta comprometimento por parte dos jovens atletas, comprometimento com o seu corpo, sua mente e com o estudo do jogo. Faltam também atletas mais velhos e comprometidos a ensinar e ter paciência, eu tive treinadores e mentores que tiveram paciência pra me ensinar e sou muito grato a eles por isso. Mas também não adianta treinadores e mentores dispostos a ajudar se os jovens não aceitam críticas e não buscam melhorar, passei por 2 anos de treinamento antes do meu primeiro jogo, tive que ter paciência e entender que tudo acontece no tempo certo!”

Advertisements
Advertisements

Atenção atleta chegou a oportunidade – você está pronto?

Por Marcelo Taveira – Manager // Confederação Brasileira de Futebol Americano.

A oportunidade da sua vida pode chegar a qualquer momento, sem anúncio, sem aviso, sem post no Instagram com 6 meses de antecedência, ela apena vai chegar. E aí? Você vai estar pronto pra ela?

A vida de atleta é muito difícil, não é atoa que MUITOS desistem no meio do caminho, no esporte amador é ainda mais difícil, porque você precisa se matar de trabalhar, estudar, ter uma vida social e ainda encaixar muitos treinos no meio disso tudo, academia, fisioterapia, nutricionista, e com um orçamento bem baixo.

Mas não se iluda, a vida de um atleta profissional não é mais fácil só porque ele vive do esporte e tem toda a estrutura necessária à disposição, ainda é difícil demais.

Agora, se você pensa em chegar em algum lugar com o esporte, você precisa carregar toda essa bagagem, todo esse peso de ser um atleta e trabalhar cada dia mais duro, treinar mais forte, fazer mais do que você era acostumado a fazer (e dia após dia fazer mais que no dia anterior).

Advertisements



Atleta sempre espera por uma oportunidade, a de competir, a de vencer, a oportunidade de ganhar dinheiro com o esporte, de se tornar um atleta profissional em outros países, de vestir a camisa da seleção brasileira, oportunidades.

E se tudo isso que você deseja chegasse HOJE pra você? Estaria pronto para receber essas oportunidades e fazer valer o investimento de quem acreditou em você? Mostraria para essas pessoas que você trabalhou muito duro pra isso e merece aquelas oportunidades que estão chegando? Ou vai se lamentar dizendo: “queria ter ficado sabendo dessa oportunidade meses atrás, assim daria para eu me preparar melhor…”?

Uma vez eu li uma frase que diz o seguinte: “Os treinadores não deveriam ter que te pressionar para você treinar mais. Você é que deveria se pressionar para treinar mais porque quer ser um atleta de elite!”.

Acredito que ela se encaixe muito nesse contexto, já que muitos atletas esperam serem cobrados por tal atividade, pra exercê-la. Esperam que um treinador ou colega de treino cobre sobre determinado exercício, para ele começar a fazê-lo.

Entendo que todo esporte tem a sua especificidade e os treinadores estão aí para isso, mas você pode preparar o seu corpo para a sua modalidade esportiva. A verdade é que você não pode, você deve preparar o seu corpo para entrar em campo.

Quanto melhor fisicamente você está, mais fácil é entender cada exercício no treino, mais dinâmico é entender cada mecânica e fundamento do esporte, você consegue aplicar agressividade na competição porque você está preparado, você está seguro, você conhece e tem controle corporal.

Quanto melhor fisicamente você está, menor o seu risco de lesões. E se houverem lesões, você terá um tempo de recuperação menor de quem é sedentário ou mal treina.

E quanto melhor você está fisicamente, nenhuma oportunidade vai lhe parecer impossível ou extremamente difícil, porque você se preparou, mesmo sem saber quando ela iria chegar, mesmo sem ela ter te avisado que chegaria em alguns meses, você estava pronto.

Certa vez li uma outra frase interessante: “não espere ser contratado para se tornar profissional, se quer ser reconhecido por profissionais, aja como um profissional desde o seu início.”

E aí entramos em outro campo muito interessante, o campo da mentalidade de atleta.

Quantas vezes você conheceu algum atleta ou companheiro de time que tinha um talento nítido, que exercia certa naturalidade no esporte, que parecia que para ele as coisas eram mais fáceis, mas que ele não se dedicava, ficava de madrugada na balada na véspera de um jogo e acabou desistindo do esporte por não querer “perder” essa vida social?

Ser um atleta é mais do que se preparar fisicamente, você precisa decidir ser um atleta e estar feliz com isso. É entender que os sacrifícios que faz na vida pessoal são por um objetivo maior e que está tudo bem, e não ficar se lamentando por isso.

A mentalidade de atleta faz o que foi falado lá em cima, de você querer treinar mais, trabalhar mais duro, sem que ninguém te cobre isso, mas porque você quer evoluir, você quer melhorar, quer ser o melhor no que faz. Faz você ignorar o seu companheiro de time “dando migué” e fazendo menos repetições do que foi mandado e fazer todas as que você precisa fazer. E faz ainda você querer começar a cobrar seus companheiros para evoluírem também, afinal, você também precisa deles.

Em novembro de 2020, uma empresa de agenciamento internacional de atletas veio ao Brasil para realizar testes e tentar descobrir talentos em meio ao futebol americano nacional.

O evento aconteceu em meio à pandemia do Covid-19, em Brasília-DF e o evento foi divulgado apenas um mês antes do seu acontecimento.

Foi a primeira vez que um evento desse porte aconteceu no Brasil, um Combine Internacional aberto para qualquer pessoa.

O que se ouviu no evento foi: “Eles demoraram muito pra divulgar, não tive tempo para me preparar”, “Tá acontecendo uma pandemia, não estava treinando”, “Queria saber desse evento uns 6 meses antes, aí eu estaria voando…”.

Mas também, neste mesmo evento, sob essas mesmas circunstâncias, 20 atletas se destacaram, dentre os 250 participantes. Apenas 8% dos atletas presentes no evento estavam prontos para aquela oportunidade.

20 atletas que contornaram uma pandemia e treinaram em casa, correram na rua com máscara esportiva, que mantiveram o controle da sua alimentação, se hidrataram bem, que se dedicaram mesmo com tantos limitadores e que quando o evento apareceu “de última hora”, o único trabalho que eles tiveram foi descobrir como chegar ao Estádio Mané Garrincha, em Brasília-DF, mesmo saindo de diversas regiões do país.

E quando irá acontecer de novo um evento desse? Ninguém sabe. Você vai esperar postarem no Instagram a data pra começar a treinar?

No fim, se me permitem dar conselhos sobre ser um atleta profissional, eu digo: FIQUEM PRONTOS!
Se você almeja uma carreira profissional, sonha em jogar na NFL, CFL, XFL, NCAA, ou tantas outras ligas, você precisa estar pronto de todas as maneiras possíveis.

Estude inglês – Para qualquer lugar do mundo que você quiser ir, a língua inglesa é universal e alguém irá compreender o que você fala e você irá entender as instruções dos treinadores ou os termos dos contratos com as equipes.

Se prepare bem fisicamente – Procure orientação profissional direcionada para o seu esporte. Treinar muito não é sinônimo de se preparar, treinar certo é.

Se prepare bem tecnicamente – Dominar as técnicas e táticas do esporte são tão importantes quanto estar bem fisicamente. Estude a teoria do esporte, leia tudo o que puder sobre, domine o jogo de forma física e mental.

Cuide do seu bem-estar – A alimentação é de extrema importância nos seus objetivos como atleta, esteja orientado por alguém capacitado para te acompanhar nessa jornada de treinos, trabalhos, etc.


Previna lesões – Muitos acreditam que só devemos ir ao ortopedista ou fisioterapeuta quando se machucam. Errado. Faça tratamento preventivo, previna lesões e aumente seu desempenho.

Cuide da sua imagem nas redes sociais – Mostrando sua rotina, quem você é, o quão duro você treina, você pode conseguir patrocinadores, apoiadores para essas coisas que citamos acima e isso ainda pode influenciar os times a te conhecerem ou pelo menos ouvirem falar de você.

Produza seus Highlights – Fazer um vídeo com seus lances e jogadas não é para massagear o seu ego, é para mostrar para equipes e olheiros o que você faz dentro de campo, seja a liderança, tackles, recepções, bloqueios, touchdowns e etc, mas mostre tudo.


Talvez mesmo fazendo tudo isso, você não consiga chegar aonde tanto deseja. Mas se a oportunidade vier, você vai estar pronto pra ela!

Advertisements
Advertisements

Evolução do Linebacker – part.01 surge o híbrido.

Por Caio Guimarães – CEO // Tide Football.

Como vocês sabem,  é um esporte de constante evolução nas formas de se jogar, principalmente no ataque, quarterbacks moveis, running backs que recebem passe, tight ends se tornando maquinas ofensivas de 1m95 e 120kg e slot receivers com ritmo que perturba qualquer marcador, sabe aquele elétrico, pura intensidade um bom exemplo de tudo isso é o Kansas City Chiefs com Patrick Mahomes, Travis Kelce, Sammy Watkins e Tyreek Hill, praticamente uma aula de variação ofensiva.

Atletas que fazem com que a defesa redobre a atenção e trabalhe de forma reativa, como nunca aconteceu, “pai do céu”, para enfrentar esses caras vamos precisar ir para uma sala de estudos antes do jogo, é dali que vai sair os ajustes na fala do coach na hora do gameday, mas como? Utilizando a tecnologia, é ela quem está modificando o jogo, entregando em probabilidades as ações ofensivas, vídeos com pontos fortes para ativar na defesa um conhecimento prévio sobre o eventual enfrentamento. Uma boa referência disso é o Michael Thomas do New Orleans Saints, ele só faz uma rota, a slant, colocando o ombro de fora para dentro do marcador, deixando o db escondido na visão do QB e jogando com a vantagem da envergadura, mas logo após uma temporada com desempenho para 107,8 jardas por jogo em 2019, muito se esperava a repetição do feito na temporada atual e seu desempenho médio caiu para 62,6 jardas por jogo. a defesa já sabe, estudou, a tecnologia permitiu que o analista apresentasse suas ações para os marcadores ou o próprio marcador já estudou.

A tecnologia, esse é fator que está modificando com o jogo, você concordou com essa afirmação? Ali de cima? Se não vamos lá, quais os principais pilares de uma equipe de futebol americano e seus atletas para o jogo? Para mim, em faixas iguais: Mentalidade, técnica, tático e físico todos os quatro passaram por mudanças na forma que se estuda e aplica nos atletas por conta da tecnologia disponível hoje em dia. Lembra que falei sobre defesa reativa, então a defesa sempre foi reativa (eer), mas agora estamos falando da reação defensiva da qual nunca aconteceu antes por causa da tecnologia, sacou?

E é sobre isso nossa troca de ideia. Evolução defensiva, mais precisamente, Evolução do LineBacker. 

Advertisements

Por décadas, os linebackers tiveram a mesma composição, grandes e imponentes no meio de uma defesa. Mas como os ataques mudaram, o perfil físico também mudou, é uma visão minha que para entender melhor vamos consultar um artigo americano sobre o atleta que deu start a toda essa variação de polivalência defensiva.

Deone Bucannon

Draftado como Safety em 2014 pelos Cardinals roubou olhares durante sua primeira temporada atuando como Money uma função entre os tackles próximo ao box, fato comentado por muitos especialistas, fazendo nascer outros termos que iriam se familiarizar com tempo no plano de jogo, como hibrido ou rover, tudo isso porque Bucannon não aceitava ser chamado de Linebacker.

“Para mim, não sou linebacker!” (…) “Isso já está definido, quais são as medidas de um linebacker? Eu não tenho. Sou um jogador totalmente diferente. ”

Perguntado sobre, acreditar realmente se é o primeiro safety a sobreviver no Box da liga? Bucannon respondeu 

“Eu não acho que sou o primeiro a fazer isso. Eu posso ser o primeiro a realmente estar naquele ponto de linebacker permanentemente, em vez de ficar indo e voltando. ”

O artigo dizia sobre influência de Bucannon como pioneiro não necessariamente de atletas que viriam a fazer coisas novas na defesa mas para abrir os olhos de muitos estudiosos do Futebol Americano para visualizarem com termos e nomenclaturas especificas jogadores híbridos em uma defesa.

Bons exemplos Híbridos sempre serão Luke Kuechly, Troy Polamalu e Kam Chancellor os nomes mais fortes para geração, que marcaram época, cada um em uma variação diferente de performance defensiva, seja ingressando ao Box ou cobrindo em passes, mas a verdade é que nomes como esses estavam 10 anos à frente no tempo sempre foram exceções.Na média o linebacker não evoluiu tanto quanto as peças ofensivas e agora essa tendência de defensores com mais mobilidade, podendo exercer diversas funções em campo, liderando mudanças de formação sem precisar trocar o jogador. Está pegando na NFL.

Devin Bush e Devin White são exemplos perfeitos da evolução do Linebacker na NFL, “você joga em qual posição? Eu jogo na defesa!” É com isso que vamos nos acostumar a escutar dos jovens defensores, estão ficando prontos para enfrentar qualquer adversidade, mas ficamos por aqui nesse texto, vou trocar uma ideia com Gerson Santos LineBacker da seleção Brasileira de Futebol Americano e volto na próxima edição.

Advertisements
Advertisements

Vitórias não são pra todos. Fé também não.Vitórias não são pra todos. Fé também não.

Vitor César Dutra – Mochila // AFC Fraternidade Cristã de Atletas

Todo time você sabe quem é que se prepara pra vencer e quem não. Se você está nesse grupo, você sabe quem está nele com você. E também sabe quem não está e vai te ferrar e você terá de carregar se quiser vencer. Se você não sabe se tá nesse grupo, bem…provavelmente você não está mesmo. Veja bem, não estou falando se fulano ou ciclano está efetivamente ajudando o time a vencer ou não, estou falando se ele está fazendo o que ele tem de fazer para se preparar da melhor maneira possível para vencer. É outra coisa.

Advertisements
Advertisements

O padrão comportamental é bem diferente. E já foi explicado por muita gente muito mais esperta que eu.

Tomás de Aquino, filósofo renomado, fez alguns trabalhos sobre o que ele chamou de “faculdades humanas”. Neste trabalho ele mapeou sua proposição das motivações do comportamento humano e identificou, dentre o que ele chamou de “paixões da alma” o apetite concupiscível e o apetite irascível. Nomes difíceis, eu sei, mas o conceito é bem simples: o primeiro é o desejo de fazer coisas que te fazem se sentir bem. O segundo é o desejo de fazer as coisas corretas. Um é relativo ao que Tomás chama de “bens desejáveis”, o outro é relativo a “bens árduos”.

Um é gostosinho de se fazer. O outro é um saco de se fazer.

Um é imediato. O outro é duradouro.

Um é relativo à alegria, satisfação e conforto. O outro é relativo à justiça, bondade, felicidade e amor.

É fácil identificar esses dois padrões comportamentais bem distintos: você enxerga algum jogador se inclinando mais aos bens árduos quando ele constantemente treina muito duro, em treinos que são desconfortáveis e passa muito tempo fazendo coisas que não são prazerosas de se fazer, para que ele tenha um prazer superior como recompensa.

De igual forma, é fácil você enxergar o jogador que treina bem quando “tá no embalo” de alguém, que estuda por pressão dos companheiros e ama fazer highlights de qualquer coisa. É o jogador que quer se sentir bem imediatamente, não de forma duradoura. Este se inclina mais aos “bens desejáveis”.

Ambos estes comportamentos são guiados por algo que Jordan Peterson, PhD em psicologia e professor de Harvard e da Universidade de Toronto, chama de “sistemas de crença”. Basicamente, é a maneira como um indivíduo elabora suas crenças e como estas sustentam sua interpretação da vida, e por consequência, seu comportamento.

Ao ouvir a palavra “crença” talvez você tenha esbarrado em uma leve objeção na sua mente. Algo tipo “eu não tenho crenças”, ou “pera, estamos falando das minhas crenças aqui?”. Pois bem, deixe-me explicar:

Talvez você nunca tenha se dado conta disso, mas tudo, absolutamente tudo que você faz e pensa é a partir de alguma crença de alguma coisa, seja ela qual for. Você toma água por ter a crença que tomar água te faz bem. Você paga seus impostos (ou não rs) por ter a crença de tal prática ser certa ou ser errada. Muitas crenças são pautadas em fatos observáveis, como estas que te mencionei. Mas outras, igualmente importantes, não. Você apenas as tem e muito provavelmente aprendeu com alguém que também as têm, mas nenhum de vocês sabe de onde veio isso.

Advertisements




Você acredita que abuso sexual de crianças é errado (ou assim eu espero!!). Você acha que você acredita nisso porque a sociedade assim diz, porque seria ruim para a sociedade e porque vai contra a lei. Você sabia que existem culturas nas quais tal prática é super normal? É bem assimilada e tal. Não é crime, nem é mal visto. Tais sociedades têm funcionado tranquilamente com essa prática horrenda. No caso do Camboja, por exemplo, a falta de leis contra a pedofilia é até um apelo turístico: durante muito tempo, pedófilos muito ricos escolhiam passar as férias lá pra estarem impunes. Toda sociedade tem sua prática horrenda mas “permitida”. Aqui no Brasil, a nossa é o “jeitinho brasileiro”, uma alusão a corrupção. Em países pouco desenvolvidos e super arcaicos, essa prática é, em alguns casos, abuso de menores. No mundo antigo, inclusive, isso era norma nas sociedades helênicas.

Abusar de menores, porém, não deixa de ser errado, mesmo que alguma cultura tenha normalizado isso. Não deixa de ferir algo intrínseco à existência humana. E certamente não é apenas uma imposição social. De onde vem, então, a sua crença de que isso seja errado? Certamente ela deve ter vindo de algum lugar. Vocês talvez pensem “veio da minha educação!”. Pois bem, vai lá e pergunta pros seus pais ou pra quem te criou de onde veio essa crença que eles te passaram. E aí depois pros seus avós e etc. Eu te garanto que a primeira pessoa a passar essa crença adiante adquiriu ela só porque sim. Quase como se sendo algo inerente ao ser humano.

Agora você descobriu que até os chamados “direitos humanos” são totalmente baseados em crenças. Tudo que a gente faz é.

Tá vendo como você acredita em muito mais coisa do que você acha e como o que você acredita faz muita diferença? Voltemos aos nossos exemplos no futebol americano.



O jogador que se prepara pra vencer tem esta crença de que, se ele se esforçar e fazer tudo que deve fazer, ele será recompensado. O jogador que não o faz, ele tem a crença de que a vida talvez seja longa demais pra construir coisas duradouras, e que o que se tem é o agora então neste agora lhe cabe ser feliz. Ambos adquiriram estas crenças de alguma maneira e talvez nem perceberam. Ambas não são passíveis de prova. Não estão no âmbito da realidade observável, pois na realidade você encontra evidências de ambas as crenças. Tanto da crença de quem ralou e teve sua recompensa, quanto de quem ralou e se ferrou e deveria ter curtido mais a vida.
Não é improvável assumir que ambos estes indivíduos já tiveram ambas estas experiências, também. Mas claramente, a crença resultante destas experiências para ambos foi diferente.

E com isso, espero que você perceba que, assim como você acredita em muitas coisas que talvez nunca tenha notado e que essas crenças são muito importantes, quero que você note que VOCÊ é um fator em determinar quais crenças você leva consigo.

Quais crenças você alimenta.

Quais crenças regem teu comportamento.

Agora começa a parte do texto só pra gente grande.

Se você é um fator em determinar as crenças que você cultiva e suas crenças afetam todo o seu comportamento em todas as áreas da sua vida, você tem a responsabilidade de forjar suas crenças de forma que estas sejam legítimas e não te falhem.

Se aquilo no qual você crê falhar, se mostrar irreal, se mostrar apenas uma aposta mal feita ou fruto da sua imaginação, então seu comportamento vai junto. Talvez este seja o caso do exemplo do jogador que não se prepara pra vencer. Talvez um dia ele tenha acreditado que se ele se comportasse excelentemente, ele teria sua recompensa em forma de vitórias e reconhecimento. E não teve. Talvez outras coisas tenham interferido, e ele tenha observado sua crença colapsar em frente ao seus olhos. Seu comportamento colapsou junto.

Se você observar esse fenômeno fora do meio esportivo, então, o bixo pega. Creio que muitas pessoas hoje sofram de tantas crenças colapsadas que elas não sabem mais no que acreditar. A crença em relacionamentos, a crença em sucesso, a crença em família, a crença no bem, a crença na generosidade, a crença na educação. Conforme a recompensa por crer nestas coisas nunca chegam, o comportamento motivado por estas crenças vai caindo junto.

Em geral, você observa dois tipos de comportamentos gerais quando esse colapso acontece: distração ou depressão.

O primeiro é o caso da pessoa que, diante do sofrimento da vida, escolhe viver sempre só se distraindo e tentando “curtir o momento”, já que aparentemente, qualquer coisa que não seja o momento na vida dessa pessoa não está muito firme. É um comportamento hedonista, na busca do prazer imediato e ilusório já que desistiu do prazer verdadeiro.

O exemplo mais clichê disso é algum jovem que, ao ver sua crença em namoro e casamento colapsando, e ao ser incapaz de reconstruí-la de volta, sai por aí metendo o louco e passando o rodo em relacionamentos casuais.

O segundo comportamento advindo das crenças que colapsaram é a depressão. Se você não se distrai, você se deprime. Em geral, acontece com quem tentou a primeira opção mas não conseguiu sustentar ela por tempo o bastante. Não à toa, rola mais com gente mais velha, já que jovens conseguem sustentar ilusões por muito mais tempo, se apenas tiverem um rolê pra fazer todo fim de semana.

Honestamente? Eu acho que você já chegou nesse estágio em algum ponto da sua vida. Eu já. E é uma desgraça. Você simplesmente não sabe mais no que acreditar, ou o que você acredita não é o bastante pra te tirar da cama.

Por isso é importante você ter crenças que não te falhem.

Mas que crenças seriam essas?

Você não precisa ser um gênio pra chegar a conclusão que a única crença infalível é uma crença que não é só uma crença: é um fato. Um fato observado, provado, verdadeiro.
Lembra do exemplo da crença em tomar água e tal? Então. Você nunca deixou de tomar água, certo? Porque essa crença nunca te falhou. Por ser observável e ter respaldo em fatos.

Eu quero ser sutil aqui, mas vai ser difícil: toda vez que você recorreu a distração ou acabou na depressão é porque você não forjou sua crença bem o bastante. Você não tomou o tempo pra fundamentar suas crenças em cima de fatos.

Ou talvez sua vida seja um passeio na Disney e suas crenças nunca foram tão desafiadas e você não teve de recorrer tanto a isso.

Em ambos os casos, a mensagem desse texto segue a mesma: se você não parar pra construir suas crenças intencionalmente em cima da verdade, é só questão de tempo até que elas sejam desafiadas. É só questão de quando a vida vai fazer suas crenças desmoronarem na sua frente.

A verdade importa. E você deve crer é nela. Todo o resto é brincar com o destino. É torcer pra ele não expor sua crença meia boca que não passa o crivo da realidade.



Aí entra o conceito de Fé. Um conjunto de crenças que permeie toda a sua vida e defina muito de como você interpreta toda a realidade e todas as suas crenças. Se você chegou até aqui no texto, imagino que veja fé como algo sério mesmo, não como algo que gente religiosa tenha por aí pra ficar causando na vida dos outros. É muito triste como esse conceito se liquefez (como muitos outros) na sociedade de hoje.

A fé tem de entrar neste assunto porque, claramente, a experiência humana tem lá suas limitações: os seus instintos não são exatamente os mais confiáveis e você certamente já se ferrou por isso. O seu intelecto é relativo ao tanto de informação que você tem e certamente você não tem toda a informação necessária para entender tudo sobre a vida, nem jamais terá (e se você não tá convencido disso ainda, vish, isso é papo pra outro texto. Ou você pode só passar a prestar mais atenção na sua vida mesmo. Será inevitável não perceber isso.)

Sören Kierkegaard, que tenho como o maior filósofo existencialista, no século XIX argumenta que, para criar crenças que não te falhem e que façam a experiência humana valer a pena, é necessário ter alguma fé justamente por isso. Algo transcendente. Algo além da experiência humana.

Que fé seria esta então?

Kierkegaard aponta que esta fé ela não é uma fé pautada em sentimentos, pelas mesmas razões que acabei de explicar logo acima. Tampouco é uma fé pautada em racionalização. Além do mais, não é uma fé dependente da fé do indivíduo, pois, que deus seria real apenas se você acreditasse nele? Essa história de “cada um tem sua fé”, portanto, cai por terra. Se alguma divindade só é real se você acredita nela, ela não é divindade alguma.

Kierkegaard, é claro, aponta o que seria essa fé. Não é a toa que ele é o maior filósofo existencialista da história humana inteira. Mas eu nem vou mencionar a proposta dele ainda.

Você o chamaria de louco.

Essa parte da busca pela verdade fica mais pra frente.

O ponto aqui é você se dar conta de como chegar nessa fé é trabalho árduo. Não é pra qualquer um. Pra colocar tudo que você acredita a prova desse jeito, tem que ter uma personalidade de aço. Tem que conseguir olhar as suas crenças desmoronando diante de seus olhos e ter coração o bastante pra construir uma crença melhor com os escombros que restaram.

Não é pra quem vai ficar preso num looping de distração e depressão diante da dor da vida.

E certamente, se você passar por esse processo, se tornar um melhor jogador de futebol americano vai parecer um passeio no parque. Chegar na hora no treino, ter reps extras, passar horas vendo vídeo vai ser mais fácil que andar pra frente.




Se você vai levar alguma coisa desse texto, é isso: você acredita em algo, mesmo que você talvez nunca tenha parado pra pensar nisso e viva tentando se distrair. Aquilo no que você acredita é mais importante do que você imaginava no início desse texto. Você deve desenvolver uma crença que não vá te falhar. Uma crença que não vá te falhar vai, eventualmente, envolver algum grau de transcendência. Desenvolver uma crença verdadeira é coisa de gente grande que não tem medo de se lapidar arduamente. E alguém que passa por esse processo certamente se prepara para vencer no futebol americano. Deve achar tranquilo, inclusive.

Se você não aguenta se preparar para vencer no futebol americano, certamente vai pedir arrego ao trabalhar em cima de suas crenças.

Se você se prepara para vencer no futebol americano e nunca construiu suas crenças intencionalmente, agora você não tem mais nenhuma desculpa.

Não dá pra vencer em só uma área da sua vida. Há de se tornar um vencedor em todas. E trabalhar em cima de suas crenças é algo que só vencedores têm o estômago pra fazer.

Se você chegou até aqui, ainda não terminamos.

Até a próxima.

Advertisements
Advertisements

Linha Ofensiva, o Coração do Jogo! Você foi escolhido.

Por Felipe Garcia – Tubarões do Cerrado // Embaixador Safe Sports


Observando o cenário do nosso esporte hoje em dia, é difícil não notar a evolução que vem acontecendo. Sim, futebol americano está em constante evolução, tem sido assim desde que entrei no esporte em 2015, mas nos últimos 3 anos deu uma alavancada absurda.

A história do Futebol Americano no Brasil é linda, mas não cabe a mim contar ou narrar os detalhes. O que posso sim, da minha perspectiva, é contar um pouco sobre a minha posição, o setor do time o qual ocupo, e o quão beneficiados somos com a evolução nessa crescente.

Quando comecei, em 2015, eu nem sabia a diferença real entre linha ofensiva e linha defensiva, é sério. No dia do tryout (seletiva) do time da minha cidade, o Tubarões do Cerrado, eu cheguei pilhado e logo falei para um amigo que queria ser aquele cara que batia no quarterback, achava massa demais isso. Mas não era bagunçado assim.

Advertisements



Nessa época éramos ainda mais dependentes de atletas grandes e pesados e que jogassem na Linha Ofensiva. Então fui aconselhado a tentar essa posição e de cara me identifiquei. Não vou mentir e dizer que a posição tinha um histórico bom, na real se você fosse gordo e grande eles te colocam lá na Linha Ofensiva e vamos nessa. Não era comum alguém virar e falar: “Eu quero ser OL, quero jogar na Linha ofensiva”. Pelo contrário, era de certa forma uma posição menosprezada. Certo, mas porque essa posição era carente no Brasil? e é aí que eu entro.

Temos a cultura do futebol e com isso vem o fato de você querer fazer o gol, marcar o touchdown, pontuar, ser a estrela do time, entre outros destaques. Na linha ofensiva existe isso? De certa forma sim mas somos a “fama” vem em outra forma. Ela vem com gestos dos seus companheiros de posição, dos coaches que sabem da importância que tempos e do nosso coração. Ai você me pergunta, como assim?

O dia em que você decide jogar na Linha ofensiva, representar e proteger seu time nas trincheiras é o dia em que você abre mão dos holofotes, do estrelismo, você ignora o ego e abraça a causa alheia. Se o ataque errar você será o primeiro a ser culpado e quando acertar será um dos últimos a ser ovacionado. Você escolhe humildade e vitórias, essência e irmandade. Mas nessa vida cheia de escolhas, quem realmente te escolhe é a posição, ou seja, se você não tem coração de OL, essência de OL ou sequer uma dessas duas, me desculpa mas você não se dará tão bem. Precisamos ser agressivos, intensos e ao mesmo tempo protetores, exemplos. Somos o termômetro do ataque, o motor do carro. A partir do momento em que você, independente do motivo, usar uma camisa entre os números 50 – 79, honre-a.

Respeite a sua equipe, seus companheiro. Na trincheira não tem perdão, cada erro conta e você será cobrado. Seja humilde, paciente e queria sempre a evolução daquele(a) que joga ao seu lado. Lembre-se que somos um setor em que caminhamos juntos, de nada adianta um ponto se destacar e os outros ficarem para trás.

Respeite o processo e desfrute de cada momento dentro dele.

Advertisements
Advertisements

Híbridos defensivos – e seus reflexos na secundária

Raphael da Cruz – Manager // Galo Futebol Americano


A nova posição do futebol americano A NFL não vem somente evoluindo em relação a marketing e eventos, o jogo dentro das 4 linhas vem crescendo seu nível tático e técnico a cada temporada e isso faz com que os treinadores e atletas que não acompanham a evolução do esporte fiquem pra trás e acabam perdendo espaço na liga.

Híbridos Defensivos


Atualmente a equipe que possui dentro do seu elenco jogadores híbridos, acabam saindo na frente das outras que não possuem esse tipo de talento em seu elenco. Nos últimos anos temos notado que as equipes que possuem o chamado “nova geração de Tight Ends” em seu elenco (aquele atleta com média de 2 metros de altura, 115kg, 4.7 nos 40y dash, sabe receber passes com um WR e bloquear como um OL) são as que normalmente disputam um Super Bowl.


O Maior exemplo deles é o time dos Patriots que encontrou na década passada a chave para deixar as defesas sem material humano para competir contra seus ataques recheados de Tight Ends foras de série como: Gronkowski, Bennet e Aaron Hernandez.
Na temporada de 2016 na qual se sagrou campeã, o trabalho ofensivo utilizando o “12 Pack” (1 RB, 2 TE, 2 WR) foi cirúrgico.


Quando a defesa adversaria encarava esse ataque usando sua “Base Defense” (regular personnel) os Pats abriam o campo com a Spread Formation (2×2, 3×1, Empty) e isso permitia ao Tom Brady manter um ritmo rápido de passes em seus matchups favoritos.

Advertisements


Se a Defesa se adaptava e entrava com um personnel mais leve (Nickel ou Dime), os Patriots colocavam seu 12 Pack em campo, com seus 2 TEs criando mais gaps nas extremidades da linha. Correndo com a bola nada mais nada menos que Le Garrette Blount, servindo como um trator e castigando o leve pacote defensivo, até o DC “jogar a toalha branca” e voltar com sua Base Defense.


Mas então como parar esse tipo de ataque?


É tão difícil que os General Managers entenderam que precisaram recorrer ao Draft e escolher uma “Nova geração de Safetys e Outside Linebakers” pra bater de frente com esse tipo ataque.
A partir do momento que o coordenador defensivo possui esse atleta hibrido em sua defesa as coisas começam a melhorar e ele consegue implantar com mais facilidade a pacote “Big Nickel Defense”.


O que é Big Nickel Defense?
Nickel: Extra Defensive Back (normalmente um Cornerback), que substitui um LineBacker em uma jogada clara de passe para fazer um matchup contra o Slot (Receiver ou Tight End).


Big Nickel: Extra Defensive Back (Safety), que irá atuar como um hibrido na defesa (CB/LB). Além de possuir a habilidade para cobrir o Slot, ele possui tamanho para contra bloquear no jogo corrido contra Tight Ends.
Com 3 Safetys em campo além de dificultar a leitura pré snap do QB em uma jogada aérea, esse pacote defensivo também é efetivo contra a jogo corrido devido a presença de jogadores mais atléticos próximos a linha de scrimmage.


Como resumo da obra esse pacote é mais efetivo contra certos tipos de formações ofensivas e acaba sendo uma aposta que vale a pena para o coordenador defensivo utilizar.

Advertisements
Advertisements

Além dos X and Os – o fundamental jogo corrido

Bruno Barandas – Head Coach // Vasco Almirantes

Começando hoje, vamos conversar sobre a parte tática do Futebol Americano. Desde o diagrama de jogadas até a parte de tomada de decisão, vamos explorar as nuances de como pensa um treinador de FA. Hoje, começamos falando de um dos pontos mais importantes de qualquer gameplan ofensivo, o jogo corrido.


Num cenário moderno de futebol americano onde os ataques cada vez passam mais a bola, com grandes Quarterbacks e Receivers cada vez mais aléticos, com o advento de escolas ofensivas como o Air Raid Offense, baseadas no alto número de tentativas de passe, vemos um público consumidor de Futebol Americano, desde espectadores de NFL até aqueles que já possuem algum tipo de iniciação no esporte, vemos a fascinação por esse elemento ofensivo e o esquecimento do jogo corrido.
Essa coluna não tem como objetivo argumentar sobre o quanto devem pagar aos Running Backs na NFL, ou mesmo que se deve correr mais do que passar, até porque, cada caso é um caso e cada time é um time. Nunca será argumentado que um time vá contra sua identidade, e fazer o que cada um faz bem, mas sim, vamos discutir sobre a regra número um do playcalling ofensivo, estabeleça o jogo corrido e não o abandone.


Correr a bola, além de ganhar jardas, cria diversos elementos para o jogo do seu ataque, sendo o primeiro deles, tornar a defesa “honesta”. Muitos já ouviram esse termo trocentas vezes, mas ainda não entendem o real significado da expressão. Tornar a defesa honesta se trata de obrigá-la a cogitar todas as possibilidades. Um time que abandona o jogo corrido permite que os defensores adversários abandonem suas responsabilidades de gap afim de atacar o QB, dificultando a proteção de passe e atrapalhando o próprio jogo de passe, que além de previsível, se torna mal protegido.

Advertisements


Outro benefício do jogo corrido é o fato de abrir a possibilidade do passe. Um bom jogo corrido, te permite mais espaços para o tão desejado jogo aéreo, seja pelo aumento do número de linebackers no box, ou pelo simples fato de sugar defensores com play action, o elemento terrestre do seu ataque cria áreas vazias para viabilizar seu passe. Mesmo sem um jogo corrido completamente dominante, o ato de correr a bola atrai os defensores para a linha de scrimmage, tornando seu play action verossímil, de forma que um time que opta por apenas passar simplesmente não possui essa credibilidade.


Por fim mas não menos importante, o jogo corrido te traz o domínio do relógio, dando ao seu ataque o poder sobre o ritmo do jogo, quando deixar o relógio andar e quando não, podendo, inclusive, limitar o tempo de oportunidade do ataque adversário, deixando-o fora de campo.


Fato é que, apesar de menos jogadas super explosivas e plásticas do que no passe, o jogo corrido ainda assim é parte integral do play call de qualquer ataque de sucesso. Seja por tornar seu ataque imprevisível, manipular a defesa a abrir espaços ou ditar o ritmo do jogo, correr a bola é vital para que seu sistema ofensivo possa dominar defesas e vencer jogos.

Advertisements
Advertisements