Conheça sobre a Liga Europeia – European League of Football (EFL)

O que é? European League of Football (EFL)

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Nas últimas semanas, uma nova liga de futebol americano entrou no radar dos brasileiros, principalmente após o anúncio de uma parceria com a Liga BFA. Estou falando da European League of Football (ELF).

Anunciada em março de 2020, pouco antes da pandemia ser declarada mundialmente, a ELF é a primeira tentativa de retornar com o futebol americano profissional na Europa desde 2007, ano em que a NFL Europa encerrou suas atividades.

A ELF é uma empresa privada e tem como acionistas a SEH Sports & Entertainment Holding, empresa de investimentos com foco nas áreas de esporte, mídia e entretenimento, e Patrick Esume, um dos maiores nomes do esporte no continente e um dos principais comentaristas da NFL na Europa, que também atuará como comissário da liga. 

Financiamento

A ELF terá a Chio!, marca de chips do grupo alemão Intersnack, como patrocinador principal até 2024. “Encontramos um parceiro perfeito para o nosso campeonato. Não é apenas um bom negócio, mas uma questão de coração. Junto com a Chio, sempre vamos apresentar ótimos formatos para os torcedores, tenho certeza isso “, disse o comissário Esume.

A liga fechou outras parcerias com a Ticketmaster (venda de ingressos), MITO Drink (bebidas energéticas), Samsung TV Plus (app para transmissão na Alemanha, Áustria e Suiça), Profi.Car (performance) e o rapper Kontra K, que cedeu a música “Wenn das Schicksal dich trifft” para ser a música oficial da primeira temporada da ELF.

Mesmo com a proposta de ser uma liga profissional, a ELF ainda é classificada como semi-profissional. Segundo o Zeite.de, cada time terá um orçamento de 750 mil euros na primeira temporada, um salary cap nos moldes das ligas americanas. “Não queremos os mesmos campeões todos os anos como na Bundesliga,” disse Esume. É muito dinheiro, mas não o suficiente para profissionalizar um time com de até 60 jogadores e comissão técnica. 

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Transmissões

Esume e Zeljko Karajica, CEO da SEH, possuem fortes laços com a mídia alemã, já que ambos trabalharam na ProSiebenSat.1 Media, um dos maiores canais da Alemanha. Essa proximidade levou a assinatura de um contrato que garante a  transmissão de 13 jogos, incluindo os playoffs e a final, transmitidos ao vivo na Alemanha pela ProSieben Maxx, com todos os outros jogos sendo transmitidos ao vivo pela ran.de. O canal Esport 3 será o responsável pelas transmissões dos jogos na Espanha.

Além das transmissões nos canais citados, a ELF conta com um serviço de streaming em parceria com a inglesa StreamAMG. A ELF Network dará acesso ao jogos ao vivo para qualquer pessoa no mundo e conta com quatro pacotes: Pay Per View (€3,99 por jogo), Game Day Pass (€8,99 por semana), Team Pass (€39,99) e o Season Pass (€99,99).

Regras

A ELF jogará com as mesmas regras da NFL, exceto na prorrogação, onde usarão as regras da NCAA. Os times poderão contar com até 60 jogadores e 5 nomes no practice squad.

O foco da liga é desenvolver atletas locais, por isso serão permitidos 4 americanos por time e 10 estrangeiros não americanos. Muito se falou em americanos naturalizados em outros países europeus, que isso poderia ser uma brecha para a entrada de mais americanos na liga. Esses jogadores não serão contados como atletas internacionais, mas sim como americanos.

Uma das principais iniciativas será a criação de oportunidades de intercâmbio para jogadores, treinadores e árbitros dos dois continentes. Com essa parceria, os brasileiros não entram na regra de “import players”. Além disso, existe a intenção de incluir, no futuro, pelo menos uma vaga por time para ser ocupada por um jogador brasileiro. Ainda existe a possibilidade da criação de um jogo entre os campeões brasileiros e da ELF.

Times

Inicialmente, a liga contaria apenas com times da Alemanha e Polônia, mas com o adiamento da sua estreia, um time espanhol acabou sendo incluído, fechando a primeira temporada com oito times de três países: os alemães Berlin Thunder, Hamburg Sea Devils, Leipzig Kings, Cologne Centurions, Frankfurt Galaxy e Stuttgart Surge, o polonês Wrocław Panthers e o espanhol Barcelona Dragons.

Alguns dos times usam nomes idênticos de times da extinta NFL Europa, o que foi possível após a NFL autorizar o uso das marcas dos extintos Surge, Galaxy, Centurions, Sea Devils e Dragons.

Expansão

A ELF planeja acrescentar outros 14 times ao campeonato nos próximos quatro anos, podendo alcançar 10 países europeus. Áustria, França, Inglaterra, Dinamarca, Suécia e Turquia podem ter suas franquias anunciadas nos próximos dois anos. Itália, Hungria, Bulgária e Bélgica poderão entrar em um futuro próximo.

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Brasileiros na ELF

A ELF já conta com alguns brasileiros em seus times. São eles:

Junior Briele – DE/DT – Cologne Centurions

Com passagens pelo Corinthians Steamrollers (2011-2013), onde foi bicampeão nacional, Briele foi para a Europa, deixou de ser fullback e jogou no Cologne Falcons (2016-2019) como DE/DT. Dá uma olhada nos Highligths dele.

Murilo Machado – OL – Panthers Wrocław

Murilo começou a jogar em 2013 no Goiânia Rednecks (2013-2016), foi para o T-Rex (2017-2019), Oldenburg Knights/ALE (2019) e Thonon Black Panthers/FRA (2020). Em sua passagem pelo T-Rex, Murilo foi eleito All Pro da Conferência Sul em 2017 e 2018. Dá uma olhada nos Highligths dele.

Pollys Junio – OL – Berlin Thunders

Pollys começou a jogar em 2016 na base do América Locomotiva (2016-2018), onde foi campeão mineiro em 2016. Pelo Galo FA (2019-2021), ganhou o mineiro e a Conferência Sudeste da BFA em 2019. Pollys foi destaque na primeira edição da Golden Boy, sendo ranqueado em terceiro lugar entre os OLs da nova geração. Dá uma olhada nos Highligths dele.

ELF x GFL

A base da ELF é a Alemanha e não demorou muito para os problemas com a GFL, principal liga nacional europeia, surgirem. A AFI publicou em novembro de 2020 uma matéria sensacional sobre o assunto: “A nation divided: Germany’s football leaders react to the European League of Football”.

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Em suma, o modelo da ELF se diferencia da GFL e demais ligas europeias em um ponto: os times não pagarão para jogar, já que existe uma equipe focada na busca de patrocinadores para financiar a liga. “Se houvesse um sistema funcionando bem, não haveria necessidade de algo novo”, disse Esume. “Se você viajar pela Alemanha e conversar com as pessoas e equipes, parece que 90% das pessoas não estão felizes com a forma como as coisas têm acontecido nos últimos 15 anos. Algo precisava mudar.”

O maior crítico da ELF é Carsten Dalkowski, presidente da GFL. “Todos podem fazer o que quiserem. Não é como se tivéssemos o direito de dizer a eles para não experimentar ”, explica Dalkowski. 

Como bem colocado na matéria, as ligas estão filosoficamente em desacordo, a ELF vê um esporte em crescimento que estagnou no nível amador. Não é um esporte pobre, mas com recursos direcionados para salários de lideranças, enquanto marketing e seleções nacionais são deixadas de lado.

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Pelo lado da GFL, os críticos acreditam que a ELF tem pouco interesse em desenvolver o jogo. “Você não apenas tem direitos, também tem obrigações. Parece que eles estão interessados apenas em seus direitos”, sugere Dalkowski. “Eles não querem ter programas juvenis, não querem investir na formação ou no desenvolvimento dos jogadores, querem apenas jogar. Esse é um formato profissional e eu entendo isso, mas não parece que eles realmente serão profissionais. ”

Jordan Neuman, head coach do Schwabisch Hall Unicorns, um dos principais times alemães e fiel a GFL, teme que a competição por jogadores e recursos no mercado alemão possa desfazer o progresso feito nas ligas menores.

“Foi decepcionante para o futebol alemão apenas no sentido de que você nunca quer ver as coisas se dividirem”, diz ele. “Acho que a GFL se tornou a melhor liga da Europa nos últimos cinco anos ou mais. Tornou-se a liga mais competitiva. Provavelmente não cresceu tão rápido quanto algumas pessoas gostariam, mas acho que há muitas coisas boas sobre a liga e não quero ver isso se dividir.”

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Com a concorrência, a GFL está se movimentando para diminuir os pontos mais criticados. Uma nova diretoria está focada em melhorar o marketing, o atendimento dos fãs e a exposição na televisão. “A GFL está tentando ser mais profissional a cada ano, mas não podemos dar os grandes passos que eles querem, porque não podemos arriscar a estrutura dos clubes, das seleções juvenis e da associação que estamos financiando com nossas licenças”, enfatiza Dalkowski.

Esume diz que não está querendo derrubar as estruturas estabelecidas, apenas está tentando preencher uma lacuna no mercado europeu e isso funciona melhor se todos trabalharem juntos. “Temos uma janela de oportunidade, o futebol está tão quente na Alemanha que a mídia está realmente interessada em nosso jogo e as equipes estão frustradas”, diz ele.

“No final do dia, é a sobrevivência do mais apto. Isso é o que se resume. Mas não estamos competindo com a federação. O oposto é o caso ”, diz Esume. “Em um mundo ideal, realmente gostaríamos de trabalhar com todas as federações europeias onde temos uma equipe.”

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Fim da parceria entre a Portuguesa e o Futebol Americano – A trajetória contada em números!

Por Filipi Junio – Colunista Esporte Nacional // Tide Football feat. Mapa FABr.

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RONALDO BARRETO @barretoronaldofotos / Fotografa Esportiva.

No último dia 12, a Portuguesa FA anunciou o fim da parceria com a Portuguesa de Desportos, que durou 9 temporadas. A decisão foi tomada no final da temporada de 2020, em conversa entre as diretorias do futebol americano e da Portuguesa de Desportos. A deliberação é consequência de novos planos da Lusa em decorrência da recente volta da equipe de futebol ao campeonato brasileiro.

Após saber do término da parceria, decidi fazer um breve apanhado dessa bela história em números, bem ao estilo Mapa do FABR. Então vamos lá…

Ao longo das 9 temporadas, o time mudou de nome em três ocasiões: em 2012, quando passou a se chamar Lusa Rhynos, em 2014 mudou para Lusa Lions e, finalmente, em 2018 passou a se chamar Portuguesa Futebol Americano. Considerando apenas torneios oficiais e equipados, o time disputou 13 competições, 80 jogos e enfrentou 37 times de 11 estados.

O maior adversário não poderia ser outro, o Corinthians Steamrollers. Foram disputados 9 jogos entre os dois times e a Portuguesa tem uma larga vantagem nas vitórias. O Corinthians venceu os três primeiros confrontos em 2012 e 2013, mas a Portuguesa reverteu a desvantagem após 6 vitórias consecutivas entre 2015 e 2019.

O São Paulo Storm é o segundo grande adversário, foram 8 jogos e mais uma ampla vantagem de vitórias. A única derrota da Portuguesa foi em 2017, sendo a primeira para um time paulista em 4 anos, a última derrota tinha acontecido em 2013 para o Vinhedo Lumberjacks.

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Falando em derrotas para times do seu estado, apenas Corinthians Steamrollers, Santos Tsunami, Palmeiras Locomotives, Nemesis Football, Vinhedo Lumberjacks e São Paulo Storm podem se gabar de terem vencido a Portuguesa. O interessante dessa estatística é que das oito derrotas, sete aconteceram em um intervalo de 433 dias nos anos de 2012 e 2013. De lá para cá, passaram-se mais de 2.945 dias e a Portuguesa perdeu apenas uma vez!

Somente por curiosidade, separei a história do time de acordo com as mudanças de nome. O período em que o time adotou Lusa Rhynos (2012/2013) foi o pior, foram 23 jogos, 9 vitórias, 14 derrotas e um aproveitamento de 39%.

Como Lusa Lions (2014/2017) a história mudou, foram 38 jogos, 29 vitórias, 9 derrotas e aproveitamento de 76%. As conquistas vieram junto com as vitórias. Como Lusa Lions, o time chegou pela primeira vez aos playoffs nacionais (TTD 2015), sendo eliminado pelo Flamengo Imperadores, e venceu as primeiras duas edições da SPFL em 2016 e 2017 de forma invicta. 

Como Portuguesa Futebol Americano (2018/2021) foram 19 partidas disputadas, foram 15 vitórias, 4 derrotas e aproveitamento de 78%. Mesmo criando uma enorme hegemonia em São Paulo, onde ganhou mais um estadual invicto em 2018, a Portuguesa não conseguia se impor contra times de outros estados.

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Ao longo da sua história, foram 38 jogos contra times de fora de São Paulo, 19 vitórias e 19 derrotas. Um aproveitamento de 50% não é ruim, mas a maioria das vitórias foram contra times mais fracos. Quando separamos os jogos contra times que já foram campeões nacionais e sempre figuram entre os favoritos, foram 17 jogos e apenas duas vitórias contra Vasco e Flamengo, respectivamente, em 2018 e 2019.

Pensando em mudar esse panorama, o time decidiu não disputar a SPFL em 2019 para priorizar a Liga BFA. Mesmo não vencendo os grandes adversários, o time mostrou uma evolução enorme em 2019, quando quase venceu o poderoso Galo FA em Belo Horizonte e protagonizou uma das melhores partidas do ano, quando perdeu para o Vasco Almirantes nos playoffs.

Quando falamos em pontuadores, a Portuguesa é o único time, com mais de 50 jogos, que tenho registros de cada pontuação feita pelo time. O mérito nesse caso não é meu, já que todos os dados foram passados pelo Catullo Góes, que anotou, desde 2012, o nome e como aconteceu cada pontuação do time.

Falando em Catullo, o quarterback é um dos grandes nomes revelados pelo time. Foram 12 temporadas como starter do time, que nunca precisou se preocupar em contratar estrangeiros para a posição. De 2012 a 2019, foram 135 passes para touchdowns, segunda maior marca do FABR, 13 corridas para TD, 3 conversões de 2 pontos e 1 extra point.

Mas ele não foi o único QB do time a lançar passes para touchdowns, o Pedro Jaime “Cavanha” somou 4 passes em 2013 e o João Paulo Bueno passou para 13 touchdowns entre 2016 e 2018.

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Ao longo da sua história, a Portuguesa marcou 268 touchdowns, sendo que 16% deles foram feitos por um jogador: Vinícius Elias de Souza, o Seiya. O camisa 11 da Portuguesa é um dos melhores recebedores do país e seus números mostram isso. Na sequência do Top 10 de pontuadores do time, vemos jogadores que tiveram passagens gloriosas por adversário da Portuguesa, com destaque para running back Johnny Santos (Corinthians e Spartans), Leandro Fratini (Corinthians e Storm), Luiz Domingues (Storm), Guilherme Sarmento “Jesus” (Storm e Spartans) e Paulinho Santos (Corinthians e Storm). Veja a lista completa:

NomeTouchdowns
1. Vinicius “Seiya”43
2. Johnny Santos28
3. Fernando Desimone “Francês”24
4. André Pistarini “Moss”19
5. Catullo Góes13
6. Leandro Fratini13
7. Luiz Domingues12
8. Guilherme Sarmento “Jesus”10
9. Paulinho Santos10
10. Bruno Guimarães “Rato”8

Mas nem só de futebol americano viveu a Portuguesa nos últimos anos. Como é comum em São Paulo, a Portuguesa começou sua história como um time de Flag Football em 16 de março de 2007. O Flag foi a categoria principal do Rhynos até 2011, quando a transição para o futebol americano se iniciou, mas o time não abandonou suas raízes. 

O Flag continua sendo uma categoria importante no time, que mantém um elenco forte e focado no esporte. O time masculino venceu o Campeonato Paulista de Flag da FEFASP em 2017, 2018 e 2019 e o feminino o Karaja Bowl em 2018.

Não importa o esporte, a Portuguesa FA, principalmente em São Paulo, sempre se colocou como uma das principais forças, que isso não mude.

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