Sinônimo de superação, Ryan Shazier vai além de uma lesão que encerrou a carreira do atleta, na NFL

Danilo Lacalle / Jornalista – Tide Football

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Em sua primeira temporada na Ohio State University, em 2011, Ryan Shazier enfrentou seu primeiro desafio: jogar pelo pior time de futebol americano da universidade, desde os anos 2000. Ainda mais, jogando como reserva. Um desafio e tanto para um jogador que acabara de sair do colegial. Mas, com o tempo, começou a garantir seu espaço e fez, logo no primeiro ano, 58 tackles e um fumble forçado.

O ex-destaque de quatro estrelas da Plantation High School, na Flórida, explodiu na temporada de 2012. Foram 115 tackles, com 17,5 tackles for loss, 5 sacks e uma interceptação contra Penn State. Números que o fizeram ganhar um destaque nacional.

Embora os Buckeyes de 2013 decepcionaram na final da Big Ten, contra Michigan State, e no Orange Bowl, contra Clemson (perdendo dois jogos, após vencer 24 consecutivos), Shazier não decepcionou em sua terceira e última temporada vestindo a camisa da universidade.

Ryan Shazier entrou no Draft da NFL de 2014 como um dos melhores prospectos universitários, depois de compilar mais de 100 tackles em cada uma de suas últimas duas temporadas em Ohio State. O Linebacker foi projetado como uma escolha tardia de primeira rodada e, até mesmo, foi citado para a segunda. O motivo? Afirmavam que ele não era tão grande ou forte quanto alguns dos outros defensores disponíveis. Mas, o que faltou em força, ele compensou em velocidade, como mostrou em seu combine, nas 40 jardas, fazendo apenas em 4,36 segundos Isso já mostrava a determinação do atleta antes mesmo de entrar na liga.

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Dia do Draft. Tensão entre todos os atletas prestes a serem selecionados e correria entre os times para definirem o futuro das franquias. Os Steelers estavam no relógio e eles decidiram que não podiam deixar o talento de Shazier escapar. Resultado: escolheram Ryan na 15ª escolha geral. Anos depois, Shazier revelou que os Cowboys tinham planos de draftado na 16ª escolha antes que os Steelers entrassem no jogo, no último minuto. Foi uma surpresa para muitos, que pensaram que o Steelers atacaria a posição de cornerback, já que faltava profundidade na secundária da equipe.

Logo em setembro de 2014, Shazier deixou uma boa impressão durante o training camp e a pré-temporada, ganhando uma vaga de Linebacker no primeiro time. Ao lado de Lawrence Timmons. Uma baita responsabilidade.

Em seu primeiro jogo como profissional, viu que as coisas corriam diferente na NFL do que era em Ohio State. Jogou contra o Cleveland Browns e não teve os números impressionantes de uma partida universitária. Foram 6 tackles no total e um tapa em um dos passes, que foram apenas um indício do que estava por vir. Na semana seguinte, Shazier dominou. Realizou 11 tackles em uma derrota para o Baltimore Ravens. Uma atuação surpreendente para um Linebacker novato.

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Porém, neste mesmo ano, ficou marcado pelas lesões, conseguindo jogar apenas 9 partidas em toda a temporada. Com isso, teve apenas 36 tackles e dois tackles for loss em seu primeiro ano de NFL. Números decentes, considerando quanto tempo que perdeu.

Janeiro de 2016, nova temporada e um pouco mais de experiência. Semelhante a sua primeira temporada na liga, a campanha de Shazier no segundo ano o viu ficar de fora por vários jogos devido a lesões recorrentes. No entanto, ele certamente aproveitou ao máximo seu tempo em campo, garantindo 87 tackles e 3,5 sacks em apenas 12 jogos. Uma máquina. Ao fazer isso, Shazier ajudou o Steelers a viajarem a Cincinnati para enfrentarem os Bengals no Wildcard dos Playoffs. Foi durante esse jogo que Shazier fez uma das jogadas mais marcantes de sua carreira.

No fim do último quarto, os Steelers perdiam por 16-15. Depois que o quarterback reserva, Landry Jones, lançou uma interceptação, a esperança para vencer já era quase 0. Com apenas 1:36 faltando no relógio, Shazier acertou o Running Back dos Bengals, Jeremy Hill. O fumble foi recuperado pelo Ross Cockrell e, por fim, a jogada resultou no field goal vencedor do jogo com o Chris Boswell, colocando os Steelers na Rodada Divisional dos playoffs.

Na temporada seguinte, a NFL viu Ryan Shazier se transformar em um dos melhores linebackers da liga. Apesar de jogar apenas 12 jogos, Shazier marcou mais 87 tackles e 3,5 sacks. Sim, exatamente os mesmos números que da temporada anterior. Ainda, liderou Pittsburgh em Fumbles Forçados, com 3, e interceptações, também com 3. O currículo foi o suficiente para dar ao linebacker do Steelers uma passagem ao Pro Bowl. Embora certamente preferisse jogar no Super Bowl, a derrota dos Steelers para os Patriots na final da AFC forçou Shazier a comparecer em Orlando. Ainda, fez dois tackles no jogo. Não ia passar batido, não é?

Os Steelers tiveram um início arrasador na temporada de 2017, apresentando um até então recorde de 9 vitórias e 2 derrotas. Porém, logo no primeiro quarto da partida de um Monday Night Football, contra o Cincinnati Bengals, em uma 2ª para 5 jardas, Andy Dalton completou um passe para o estreante Josh Malone, e Shazier apareceu para fazer o tackle. Sempre na mesma intensidade. Na jogada, Shazier parou o jogador dos Bengals antes do First Down, mas não conseguiu se levantar e ficou de costas.

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A equipe médica entrou correndo no campo e o silêncio caiu sobre o Paul Brown Stadium. Shazier foi retirado do campo minutos depois, deixando os Steelers sem o principal líder de sua defesa. Estava claro, porém, que essa lesão era muito maior do que as anteriores que sofrera. Na manhã seguinte, a notícia de que Shazier havia sofrido uma contusão na coluna tomou o mundo dos esportes como uma tempestade, quando as pessoas começaram a estender a mão para enviar suas melhores energias para a pronta recuperação do atleta. Não havia dúvida de que o jovem linebacker estava fora da temporada, naquele ano. Mas, além disso, ele estava prestes a travar a batalha mais desafiadora de sua carreira.

Os meses que se seguiram à lesão de Shazier foram repletos de incertezas, já que a torcida de Pittsburgh esperava ansiosamente por notícias sobre seu astro defensivo. Sem a presença do Linebacker, o time jogou a rodada divisional dos playoffs, cedendo 45 pontos para Blake Bortles e os Jaguars, em uma derrota devastadora. Mas, por mais que os fãs quisessem Shazier de volta ao campo o mais rápido possível, o foco estava em sua saúde e em garantir que a lesão não o deixasse com traumas permanentes.

No fim de fevereiro, o General Manager dos Steelers, Kevin Colbert, anunciou que o coração da defesa do Steelers permaneceria com a equipe, mas não poderia participar da temporada 2018 da NFL. Esta não era uma notícia satisfatória aos fãs, que queriam alguma garantia de que Shazier ficaria bem. Eles conseguiram, dois meses depois, quando Shazier e sua namorada entraram no palco juntos para anunciar a escolha do primeiro round do Steelers.

Ryan Shazier fez um progresso incrível desde que pisou no palco do Draft, há mais de dois anos, e continua a inspirar pessoas em todo o mundo com sua coragem e resiliência. Mesmo que sua carreira tenha sido interrompida, ele será considerado um dos melhores jogadores do Steelers da década e permanecerá no coração dos torcedores para sempre.

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