Solta o grito João Pessoa. É Campeão, ESPECTROS!

Por Marcelo Taveira – Manager // Confederação Brasileira de Futebol Americano.

O futebol americano ainda é relativamente novo no Brasil. Algumas matérias apontam que o esporte chegou no país nas praias cariocas ainda em 1986, porém, o primeiro time à praticar o Futebol Americano sobre a grama foi o Joinville Blackhawks (Joinville Panzers), em 1991, porém, o primeiro jogo oficial da modalidade fullpad, ou seja, aquela em que se usam capacetes (helmets) e as proteções de ombro (shoulders), aconteceu apenas em 25/10/2008 em uma partida entre Barigui Crocodiles e Brown Spiders Futebol Americano.

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Os times que fizeram essa final histórica, já existiam quando esse jogo aconteceu, o atual campeão, o João Pessoa Espectros foi fundado em 04/01/2007, já o vice-campeão T-Rex, nasceu alguns meses depois desse mesmo ano, em 03/10/2007, ou seja, essa final prometia muito de duas equipes maduras, muito experientes e com projetos bem estruturados de ponta a ponta.

Mas a Paraíba mostrou toda a sua força, e os fantasmas do nordeste venceram a final pelo placar de 45 x 21 e se consagraram bicampeões nacionais (2005 e 2019).

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O jogo

A grande final começou com o T-Rex no ataque, liderados pelo Quarterback Bassani, arriscando passes longos e testando a secundária do Espectros, mas sem sucesso e foram forçados à chutar o punt. No retorno do punt, uma das grandes estrelas do time paraibano, Callus Cox falhou e soltou a bola muito próxima à sua endzone, que foi recuperada por Karl Henry, à 6 jardas da Endzone. O ataque do Rex voltou à campo e contando com bela corrida do Running Back Clair José, que contou com belos bloqueios da Linha Ofensiva para marcar o primeiro Touchdown da partida. Ponto Extra convertido por Ramon Verdugo, placar 7 x 0 para o time da casa.

Passado o aparente nervosismo, o Espectros colocou seu ataque em campo, liderados pelo Quarterback Alex Niznak, que com um jogo aéreo preciso e bem distribuído e com uma bela corrida dele mesmo, atravessaram boa parte do campo. Em seguida, após uma bela recepção na linha de 42 jardas do campo de ataque, o Wide Receiver Vitor Ramalho só foi parado na linha de 6 jardas. Na jogada seguinte, conexão Niznak para Denner Lucena, Touchdown Espectros, ponto extra convertido por Diego Aranha, placar empatado, 7 x 7.
Daí em diante, o T-Rex começou a sofrer e muito com o extremamente agressivo front seven do Espectros, o Quarterback adversário não conseguia executar os passes e quando conseguiu, viu alguns drops por parte dos recebedores.
O ataque paraibano voltou a campo, porém, mesmo com alguns avanços, foram parados pela forte defesa do Rex e foram forçados a chutar um Field Goal, que foi convertido pelo Aranha, fantasmas em vantagem, placar 7 x 10.
Já o ataque catarinense pouco conseguia produzir, ainda sofrendo com drops, foram forçados à devolver a bola mais uma vez e em um retorno de punt, o Callus Cox, que é conhecido por ser uma ameaça nos retornos de chute, pegou a bola na linha de 21 jardas do campo de defesa, correu muito, desviou da marcação, quebrou tackles e só foi parado na linha de 4 jardas do campo de ataque. Com a bola na cara da endzone, Alex Niznak soltou um passe forte no meio da endzone, recepção do Wide Receiver Luiz dos Anjos, Touchdown João Pessoa Espectros, pontuação extra convertida por Diego Aranha, placar 7 x 17.
No segundo quarto, os Espectros mantiveram a intensidade, Cox recebeu passe curto de Niznak, saltou o defensor, girou e só foi derrubado depois de garantir o First Down, em seguida, Heron Azevedo com uma boa recepção de 11 jardas, mais um first down para a equipe. Ainda sem deixar o adversário respirar, Niznak fez ótima leitura e encontrou Heron Azevedo livre nas costas da marcação, mais um belo touchdown para os paraibanos, mais um ponto extra convertido. Placar: 7 x 24.

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O ataque do Rex ainda tentava, mas Bassani estava sendo sufocado pela defesa do João Pessoa Espectros, e em um roll out, arriscou um passe longo que após ser desviado por Callus Cox, caiu nas mãos do Cornerback Rafael Jonattas, conhecido como “Pé de pano”, mas o ataque paraibano também não conseguiu produzir nada após esse turnover e devolveu a bola ao time da casa pela primeira vez na partida.
Os catarinenses voltaram à campo, sabendo que tinham que pontuar de qualquer forma, se ainda quisessem continuar vivos na partida, foi aí que o ataque deles começou a encaixar e em passe de mais de 30 jardas, o QB Bassani encontrou o Wide Receiver Guilherme Meurer para uma bela jogada, first down para o Rex na linha de 18 jardas do campo de ataque. Em uma terceira descida para 11 jardas, Bassani completou passe dentro da Endzone para o Meurer, touchdown Rex, ponto extra convertido. Placar: 14 x 24.
O time da casa parecia crescer no jogo, mas Callus Cox estava disposto à não deixar nada fácil para a equipe de Timbó e em um belo retorno de kickoff, saiu da jarda 5 do seu campo de defesa e levou até à Endzone adversária, Diego Aranha impecável, converteu mais um Ponto Extra. Placar: 14 x 31.
Novamente o ataque do Rex tentou, mas o Defensive End dos Espectros, Bruno Sherman, fez boa leitura, acompanhou o recebedor e fez a interceptação, bola mais uma vez para os fantasmas. E logo na primeira jogada seguinte, em uma trick play bem executada, o Qb Alex Niznak fez um pitch para o WR Vitor Ramalho que fez passe para o WR Heron Azevedo, mais um Touchdown para o Espectros, mais um Ponto Extra convertido, placar de 14 x 38.
Tudo isso ainda no primeiro tempo da partida, essa que estava sendo realmente digna de uma final.

Depois do intervalo, o Timbó Rex precisava pontuar a qualquer custo e logo em sua primeira campanha ofensiva, voltou a pontuar. Após belo passe longo e uma boa corrida do RB Francisconi, Bassani achou Ian Bittencourt na Endzone, Touchdown Timbó Rex, e mais um ponto extra convertido pelo Verdugo, placar 21 x 38.
Aparentemente mais cansada, a linha ofensiva dos Espectros acabou cedendo dois sacks seguidos e o que era para ser pelo menos um Field Goal, se tornou um punt e devolução de bola para o adversário. Mas ambos os ataques não conseguiram produzir, saindo sem pontuação. A diferença é que o Espectros contou com um ótimo plano de jogo e queimou muito relógio de jogo, aumentando e muito a pressão do lado catarinense.
No último quarto, Niznak teve seu passe interceptado por Matheus Flausino, porém o Rex não aproveitou, a linha defensiva do Espectros continuava muito agressiva, mas eles ainda tentaram um fake punt em um passe de Ramon Verdugo para Meurer, porém, sem recepção.
Já nos minutos finais da partida, o Quarterback Alex Niznak fez bela corrida e foi parado na linha de 1 jarda do campo de ataque, mas ele estava sedento, ele queria mais, na jogada seguinte, fez um play action, correu pela direta, quebrou tackles e entrou para marcar, Touchdown João Pessoa Espectros, Ponto Extra convertido, placar final 21 x 45 e título do Brasil Bowl para a equipe paraibana.

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Os bastidores

É claro que todo mundo olha os títulos, mas muita coisa precisa acontecer até se conquistar um Brasil Bowl. E no caso do João Pessoa Espectros não é diferente.

A Liga BFA conseguiu uma parceria com a ESPN, o que fez com que as semifinais fossem reprisadas na grade da programação e a grande final fosse transmitida ao vivo. A diretoria do Espectros, ciente da grandiosidade dessa parceria, sabia que na semifinal, diante da forte equipe do Galo F.A, precisava fazer um grande espetáculo, para causar uma boa impressão e também, para valorizar os seus apoiadores e patrocinadores em rede nacional de televisão.

Foi aí que começou a jornada que ninguém (quase ninguém) vê, a busca por realizar um evento de grande porte, conseguir cumprir as exigências do regulamento e tudo isso, com o mínimo de custo possível, eis que, se ganhassem aquela partida, uma final os aguardava e a viagem não era nada curta, mais de 3.300 quilômetros até Blumenau – SC e segundo o presidente da equipe, Diego Martins, isso só foi possível pois as empresas que acreditam no Espectros, abraçaram a equipe e fizeram acontecer.

Após a conquista da vaga na final, um outro passo precisava ser dado e era um passo muito grande, aproximadamente 50 horas de ônibus, o que era totalmente inviável, era preciso viajar de avião, ter um local adequado para os atletas descansarem, além da alimentação.

Ainda segundo o presidente da equipe, as empresas e parceiras do Espectros novamente voltaram a ajudar, mas a quantia necessária era muito alta, aproximadamente R$190.000,00 (cento e noventa mil reais) e fugia da alçada deles.

Além dessa ajuda, o time ainda fez uma rifa para arrecadar dinheiro e custear as despesas, mas ainda estavam longe de bater essa meta e conseguir viajar para a grande final nacional.

Já era quinta-feira, dia 12/12/2019, véspera do jogo que aconteceria no sábado (14) quando entrou na parada o Governo da Paraíba, que através de disposições legais daquele Estado, conseguiu custear as passagens aéreas para que a equipe viajasse com o máximo possível de atletas e comissão técnica.

O título veio coroar toda a história da equipe e todo o trabalho que a Diretoria tem nos bastidores, a cada jogo, em especial, na final nacional da 1ª divisão.

Não é fácil fazer acontecer o futebol americano no Brasil, mas o João Pessoa Espectros tem mostrado a força da Paraíba e do brasileiro e seguem rompendo barreiras e os desafios que aparecem, dentro e fora de campo.

Tão certa quanto às dificuldades recorrentes do FABR, é a presença do João Pessoa Espectros na briga por títulos, os fantasmas do nordeste são difíceis de segurar!



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