Além dos X and Os – o fundamental jogo corrido

Bruno Barandas – Head Coach // Vasco Almirantes

Começando hoje, vamos conversar sobre a parte tática do Futebol Americano. Desde o diagrama de jogadas até a parte de tomada de decisão, vamos explorar as nuances de como pensa um treinador de FA. Hoje, começamos falando de um dos pontos mais importantes de qualquer gameplan ofensivo, o jogo corrido.


Num cenário moderno de futebol americano onde os ataques cada vez passam mais a bola, com grandes Quarterbacks e Receivers cada vez mais aléticos, com o advento de escolas ofensivas como o Air Raid Offense, baseadas no alto número de tentativas de passe, vemos um público consumidor de Futebol Americano, desde espectadores de NFL até aqueles que já possuem algum tipo de iniciação no esporte, vemos a fascinação por esse elemento ofensivo e o esquecimento do jogo corrido.
Essa coluna não tem como objetivo argumentar sobre o quanto devem pagar aos Running Backs na NFL, ou mesmo que se deve correr mais do que passar, até porque, cada caso é um caso e cada time é um time. Nunca será argumentado que um time vá contra sua identidade, e fazer o que cada um faz bem, mas sim, vamos discutir sobre a regra número um do playcalling ofensivo, estabeleça o jogo corrido e não o abandone.


Correr a bola, além de ganhar jardas, cria diversos elementos para o jogo do seu ataque, sendo o primeiro deles, tornar a defesa “honesta”. Muitos já ouviram esse termo trocentas vezes, mas ainda não entendem o real significado da expressão. Tornar a defesa honesta se trata de obrigá-la a cogitar todas as possibilidades. Um time que abandona o jogo corrido permite que os defensores adversários abandonem suas responsabilidades de gap afim de atacar o QB, dificultando a proteção de passe e atrapalhando o próprio jogo de passe, que além de previsível, se torna mal protegido.

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Outro benefício do jogo corrido é o fato de abrir a possibilidade do passe. Um bom jogo corrido, te permite mais espaços para o tão desejado jogo aéreo, seja pelo aumento do número de linebackers no box, ou pelo simples fato de sugar defensores com play action, o elemento terrestre do seu ataque cria áreas vazias para viabilizar seu passe. Mesmo sem um jogo corrido completamente dominante, o ato de correr a bola atrai os defensores para a linha de scrimmage, tornando seu play action verossímil, de forma que um time que opta por apenas passar simplesmente não possui essa credibilidade.


Por fim mas não menos importante, o jogo corrido te traz o domínio do relógio, dando ao seu ataque o poder sobre o ritmo do jogo, quando deixar o relógio andar e quando não, podendo, inclusive, limitar o tempo de oportunidade do ataque adversário, deixando-o fora de campo.


Fato é que, apesar de menos jogadas super explosivas e plásticas do que no passe, o jogo corrido ainda assim é parte integral do play call de qualquer ataque de sucesso. Seja por tornar seu ataque imprevisível, manipular a defesa a abrir espaços ou ditar o ritmo do jogo, correr a bola é vital para que seu sistema ofensivo possa dominar defesas e vencer jogos.

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